JAN/FEV 2020 - Edição 227 Ano 33 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Censo Abrasce: setor de shopping centers registra alta de 7,9%

21 de janeiro de 2020 | por
Com faturamento de mais de R$ 192 bilhões, resultado é o melhor dos últimos quatro anos

O setor de shopping centers registrou a maior alta dos últimos cinco anos em vendas, com um faturamento de pouco mais de R$ 192 bilhões em 2019. Segundo dados do Censo Brasileiro de Shopping Centers, lançado em janeiro de 2020, o aumento foi de 7,9% no ano passado, em comparação ao mesmo período de 2018. 

Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a expansão do volume de crédito, a redução da inflação e o crescimento da confiança do consumidor. Além disso, as vendas em datas comemorativas também tiveram um impacto positivo, com destaque para Black Friday (+19,7), Dia das Crianças (+9.9%) e Dia das Mães (+9.4%).

Além disso, a criação da Semana do Brasil, entre 6 e 15 de setembro, trouxe um crescimento de 16,8% em relação ao mesmo período de 2018. “Esses dados demonstram a força dos shoppings no Brasil, que mesmo em períodos de crise permaneceram com rendimento estável”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce.

Aumento de visitantes 

O número de visitas cresceu 2,5% e, juntos, os shoppings brasileiros receberam mais de 502 milhões de visitantes por mês. Considerando que o Brasil tem mais de 210 milhões de habitantes, esse fluxo representa 2,4 vezes a população do país. Este dado demonstra que os shoppings fazem parte do cotidiano dos brasileiros e que o consumidor está mais confiante.

“De acordo com os dados do IBGE, o consumo das famílias registrou alta de 0,8% no terceiro trimestre de 2019, acelerando de uma expansão de 0,2% no período anterior. Durante o ano, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), feito pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou avanços com números positivos, principalmente na reta final do ano”, esclarece Humai.

Novos empreendimentos e interiorização 

Em 2019, foram inaugurados ainda novos greenfields e o número de shoppings passou de 563 para 577, o que representa um acréscimo de 218 mil m2 de Área Bruta Locável (ABL), ou 2,7% a mais. 

Foi possível observar ainda que o fenômeno da interiorização, iniciado em 2015, continua em uma curva ascendente, pois a maioria dos novos empreendimentos foi inaugurada no interior do país: Carpina (PE), Patos (PB), Ourinhos (SP), Sumaré (SP), Campo dos Goytacazes (RJ) e Três Lagos (MS), por exemplo. 

“Atualmente, 57% dos shoppings estão localizados em cidades com menos de 1 milhão de habitantes, sendo que deste total, 41% encontram-se em cidades de até 500 mil habitantes. Além de ser uma tendência, o movimento da interiorização é de grande importância para a economia da região, pois gera impostos e empregos.”

Humai explica que esses empreendimentos são pensados para atender não só as cidades em que estão instalados, mas abastecer as necessidades de todo o entorno. “Essas operações trazem uma oferta de serviços e entretenimento, aliados a um grande mix de lojas. Os custos mais baixos na aquisição de terrenos, a construção mais barata e a menor concorrência entre shoppings valorizam a expansão dentro desse campo.”



Espaço para expansão 

Atualmente, o setor se concentra em apenas 5% das cidades brasileiras. Portanto, é possível concluir que há ainda muitos municípios a serem explorados e o ano de 2019 demonstrou, mais uma vez, que o interior está no planejamento de muitos grupos empreendedores.  

Segundo o levantamento, 6% dos empreendedores vão expandir os negócios em 2020 e 10% pretendem ampliar os negócios. Além disso, para 2020, são esperadas 19 inaugurações. Atualmente, a região Sudeste é a mais representativa, com 300 empreendimentos, seguida do Nordeste e Sul, com 96 cada. O Centro-Oeste ocupa o quarto lugar, com 59 empreendimentos e o Norte fica na última posição, com 26 shopping centers.

Resultados positivos

Com as expansões e as inaugurações realizadas no decorrer do ano passado, o número de lojas também cresceu 0,6%, totalizando 105.592 operações em todo o Brasil. 

Glauco Humai, presidente da Abrasce

Os resultados positivos refletiram ainda no aumento de 1,6% na geração de empregos. No total, foram gerados 1.102.171 postos de trabalho diretos. A estimativa é de que o setor tenha empregado mais de 3,3 milhões de pessoas indiretamente. 


“De 2012 para 2019, houve um aumento de 34,8% no número de contratações, o que demonstra a força do mercado.

As inaugurações refletem nos números positivos, tanto durante o período de construção quanto no período de entrega do espaço e do preenchimento das lojas.

São postos de trabalho para lojistas, equipe de apoio, como segurança, limpeza, coordenadores e superintendentes dos shoppings”, diz o presidente da Abrasce.

Entretenimento nos shoppings

O cinema é um dos principais pilares de entretenimento dos shoppings e, hoje, quase 77% das salas de cinema ficam nos malls. Segundo a Agência Nacional de Cinema (Ancine), há 71 grupos exibidores no país e um total de 3.751 salas. Destas, 2.900 ficam em shoppings – um aumento de 2,3% com relação a 2018.

A segurança, o fluxo e a conveniência dos empreendimentos são determinantes na estratégia de expansão das redes de cinema. 

“Historicamente, os shoppings são reconhecidos por estarem atento às mudanças e sempre criando ideias inovadoras. Os espaços oferecidos aos clientes estão sendo pensados para serem um centro de conveniência, oferecendo um mix de compras, lazer e entretenimento. Na prática, significa que o cliente poderá resolver tudo em um só lugar e será impactado por experiências específicas das marcas que compõem o mix do shopping”, reforça o presidente da Abrasce.

Tudo em um só lugar  

Os complexos multiúsos também são cada vez mais representativos – 29% dos empreendimentos abrigam condomínio empresarial, centro médicos e/ou laboratórios, hotel, faculdades, condomínio residencial, entre outros ativos.

Para Humai, essa é mais uma tendência que pode ser vista em todo o Brasil. Apesar da peculiaridade cultural de cada região, os hábitos de consumo se assemelham na medida em que todos procuram por mais conveniência e serviços específicos”.

A divisão de tipo de shopping se manteve igual a 2018. No país, 89% dos shoppings são tradicionais e 11% especializados. Esses últimos são classificados em life style/open mal (45%), outlet (27%) e temático (28%). 

Expectativas para 2020

Para 2020, a expectativa do setor segue otimista. Segundo Humai, o cenário será ainda mais favorável, principalmente se as taxas de juros continuarem baixas e controladas e se acontecer a consolidação das reformas. 

“Ao mesmo tempo, é preciso observar com cautela por ser um ano eleitoral, o que pode acarretar impactos. Mas acreditamos que será positivo, pois o setor do varejo é um dos que mais promovem confiança no país”, conclui. 
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