Entrevista

Chilli Beans: a marca que faz diferente o tempo todo

Por  | Foto Divulgação | 10/2019 | Edição 226

Com o lançamento de óticas, empresa quer chegar a 1200 lojas até 2020

Caito Maia, o gênio por trás do sucesso da Chilli Beans

A trajetória é tão inspiradora e a personalidade é tão cativante que as pessoas sentem vontade de trabalhar ao lado dele. A figura incrível, em questão, é Caito Maia, presidente da Chilli Beans.

A empreitada começou quando ele era jovem e foi estudar música nos Estados Unidos, pois tinha uma banda de rock, chamada Las Ticas Tienen Fuego. Para custear parte dos estudos, comprou de um camelô que vendia óculos bem diferentes 200 unidades e colocou na mala para comercializar no Brasil, o típico muambeiro. Os produtos fizeram sucesso, os pedidos foram aumentando e o negócio crescendo.

Em 1996, uma grande empresa fez um pedido enorme e pagou antecipado. Foi aí que o empresário enxergou uma oportunidade e passou a oferecer seus produtos para outras companhias. Montou, então, uma importadora, mas dois clientes não pagaram e ele quebrou. O tombo não o fez parar. Ele percebeu que era preciso desenvolver seus próprios produtos, pois no Mercado Mundo Mix, em São Paulo, SP, onde vendia os óculos, todo mundo perguntava quando ele criaria sua marca. Surgiu nesse momento, em 1997, a Chilli Beans. E a experiência como vendedor foi essencial para construir o conceito da marca. “Sempre me preocupei em colocar no mercado produtos novos que chamariam a atenção das pessoas e foi muito especial esse contato com o público como vendedor”, relembra.

Como gostava de trabalhar com óculos, não foi muito difícil deixar a carreira de músico. No entanto, sempre levou o universo da música junto com o negócio. “Assim como eu, o público também enxerga que a música, a arte e o entretenimento fazem parte do DNA da Chilli Beans e isso é muito gratificante.”

Sua primeira loja foi inaugurada na Galeria Ouro Fino, ainda em 1997, na capital paulista, e foi pioneira por ser monomarca e expor os produtos para os clientes experimentarem à vontade. Até hoje funciona assim. Na época, isso chamou atenção do mercado e recebeu um convite para abrir o segundo ponto de venda no Shopping VillaLobos, em 2000. “Como não tinha dinheiro para investir no espaço da loja, tive a ideia de contratar o espaço quiosque, que era direcionado apenas para cafeterias e conveniência. Então, acabamos inovando nesse modelo também.”

“Aos 50 anos, continuo com muito prazer em fazer o que faço. Quero sempre aperfeiçoar o que aprendi ao longo dos anos. Nosso objetivo é tornar a marca mais global e atingir 1.200 pontos de venda, o que faz parte de um desenvolvimento socioeconômico, pois também geramos empregos por meio dos resultados.”


Potência em crescimento

O investimento inicial de uma franquia é de R$ 160 mil e o tempo de retorno se dá em até 28 meses

Com mais de 865 pontos de vendas, mais de 250 mil peças comercializadas mensalmente, com presença em todos os estados brasileiros e lojas em mais nove países (Bolívia, Colômbia, Peru, Chile, México, Estados Unidos, Portugal, Kuwait e Tailândia), a expectativa da companhia é chegar a 1.200 lojas até o fim do próximo ano com faturamento de mais de R$ 950 milhões. No ano passado, o faturamento foi R$ 650 milhões e a expectativa para esse ano é de alta. Apenas no primeiro semestre de 2019, cresceram 14% em relação ao mesmo período de 2018. 

Os shoppings contam com mais de 680 pontos de venda da marca. E Maia justifica porque a presença é forte no mall: “O brasileiro adora ir ao shopping fazer compras devido ao mix de produtos. É cultural e a Chilli Beans não poderia deixar de fazer parte disso.”

Apostando no modelo de franquias, apenas duas operações são próprias: a flagship na Rua Oscar Freire, área nobre da capital paulista, e uma loja em Melrose, nos Estados Unidos. A internacionalização da marca ocorreu há 14 anos e a primeira loja aberta foi em Portugal. Os negócios só se expandiram desde então, assim como os postos de trabalho. A Chilli Beans gera 500 empregos diretos e 6 mil indiretos.  A estratégia certeira para que os números estivessem em curva sempre ascendente foi a parceria com fornecedores chineses. “Isso foi absolutamente decisivo, pois nos proporcionaram mais design, qualidade, margem e volume para crescer.”

Novos negócios

As óticas são a nova aposta da marca. Meta é chegar a 400 unidades nos próximos cinco anos

Recentemente, o grupo resolveu investir também em óticas e já abriu duas unidades no estado de São Paulo (na capital e em Barueri) e uma em Florianópolis, SC. O objetivo é atender com mais qualidade, tecnologia e eficácia os clientes que usam óculos de grau. “Queremos chegar a 400 lojas nos próximos cinco anos com faturamento de R$ 250 milhões só com as Óticas Chilli Beans”, explica o presidente.

100% de novo

A trajetória da Chilli Beans virará filme em 2022

No primeiro semestre, Maia recomprou os 30% das ações da empresa que tinha vendido para o fundo Gávea Investimentos, controlado pelo ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga. Com isso, a Chilli Beans passou novamente a estar somente nas mãos do fundador.

Foi um momento muito especial. “Retomamos o negócio 100%, mas nunca deixamos de ser Chilli Beans por conta dessa transação, inclusive o Gávea foi essencial para a marca”, reforça. Quando vendeu essas ações há seis anos, Maia teve uma atitude que mostra o quanto sua gestão é diferenciada. Pegou parte do dinheiro, cerca de R$ 17 milhões, e distribuiu entre os funcionários que tinham começado com ele. “60% dessas pessoas continuam ao meu lado. Os que não estão mais comigo acabaram abrindo seus próprios negócios a partir do reconhecimento que eu dividi, o que foi muito gratificante e saudável”, conta.

Segundo o empresário, o que nunca pode faltar no relacionamento com as equipes é o respeito, a sinergia e a escuta. Por isso, reforça que a Chilli Beans sempre respeitou a pluralidade. “Hoje, os profissionais estão em busca de mais qualidade de vida, respeito e liberdade de expressão. Sempre acreditei no talento das pessoas e nunca me interessei qual era o gênero, a sexualidade, a religião, a raça etc. Acredito que olhar para a diversidade é um exercício que, apesar de já ser um grande avanço, as empresas precisam começar a fazer mais.”

Multicanal

Pioneirismo: A Chilli Beans foi a primeira marca a levar o segmento de Moda para quiosques nos corredores dos shoppings

Segundo Maia, para se manter líder, é preciso reciclar a empresa e fazer uma gestão constante, trazendo novidades interessantes para que a marca não envelheça. Além disso, é preciso se manter atualizado e antenado para não perder oportunidades. E a Chilli Beans também se transforma assim como todo o varejo para oferecer um atendimento 360º. O e-commerce que cresce 35% ao ano, nos últimos seis anos, agora terá o serviço de compre e retire. “Como somos uma franqueadora, temos que pensar em beneficiar os franqueadores de cada região, e o e-commerce passará a fomentar isso. Outras tecnologias de multicanal já estão em estudo também.”