Empreendedor

Voltado para o Nordeste, Grupo JCPM fomenta mais de 50 mil empregos diretos na região

Por  | Foto Divulgação | 10/2019 | Edição 226

Companhia deve crescer 8% em 2019, consolidando ainda mais os projetos de responsabilidade social e sustentabilidade, que atendem 5 mil jovens a cada ano

João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM

“Orgulho de ser nordestino.” O lema do Grupo JCPM mostra claramente o apreço e a força que a companhia possui na região. Liderada por João Carlos Paes de Mendonça, a organização administra 12 shopping centers em cinco estados, além de concentrar empreendimentos imobiliários e veículos de comunicação. O grupo teve início em 1935, com a abertura de uma mercearia na Serra do Machado, SE, por Pedro Paes Mendonça, o pai de João Carlos. Os negócios foram evoluindo e as lojas se multiplicaram até a criação de uma rede de supermercados, o Bompreço. Em 1997, o grupo JCPM entrou no setor de shopping centers, com a inauguração do Shopping Tacaruna, no Recife, PE. Nesses 22 anos, a companhia se consolidou focando na qualidade da operação, na composição do mix e no relacionamento com o consumidor.

“Baseamos nossas ações de relacionamento no fortalecimento do vínculo com o cliente. Fazemos shoppings que se preocupam com o impacto na região e que buscam inserir a população que reside nas proximidades ao desenvolvimento econômico”, reforça João Carlos Paes Mendonça, que conta mais sobre a história e os planos do Grupo JCPM, a seguir. Acompanhe:


Revista Shopping Centers: Como foi migrar do ramo de supermercados para o de shopping centers? Quais foram os aprendizados levados para o novo setor?

João Carlos Paes Mendonça: Ter vivenciado durante tanto tempo o varejo a partir do setor de supermercados nos deu expertise, sobretudo, de atendimento. De olhar para o cliente e entender o desejo dele, ou nos aproximar desse entendimento, e oferecer o que há de melhor da estrutura ao serviço. E o mais importante: a inquietação de estar sempre nos atualizando. O varejo de supermercado é altamente competitivo e isso nos provocava a estar sempre inovando. Levei isso para o setor de shopping.

RSC: Por que escolheram shoppings? E o que mais mudou no segmento de 1997 para cá?

JCPM: Saímos do varejo de supermercado no ano 2000, quando vendemos a totalidade das ações do Bompreço. Nessa época, já atuávamos em shopping em Pernambuco com o Tacaruna. Portanto, na verdade, já era um segmento que tinha a presença do grupo. Nesse período, entre 1997 e início dos anos 2000, surgiram algumas oportunidades no segmento e fomos ampliando nossa atuação. Passamos a desenvolver projetos e não mais entrar apenas como acionistas de empreendimentos já construídos. Isso nos permitiu atuar da concepção até a operação e, assim, definir o padrão. Ao longo desses mais de 20 anos, houve transformação na forma como os shoppings passaram a se posicionar. Deixaram de ser um local apenas para compras e ocuparam a função de espaços de convivência. Parece uma mudança simples, mas não é. Os projetos arquitetônicos, por exemplo, tiveram que incorporar essa dinâmica.


O Shopping RioMar Recife se destaca pelos eventos grandes e surpreendentes

RSC: Poderia comentar as mudanças ocorridas no comportamento do consumidor nestes 22 anos? Como se adaptaram a esse novo mundo?

JCPM: É um consumidor que deseja mais fortemente eventos, espaços de lazer, praticidade, segurança e que quer e precisa resolver o máximo de coisas no mesmo local. As compras, claro, são muito relevantes e o nosso negócio se baseia nisso. Mas você não pode mais oferecer a loja pela loja. Até mesmo pelos diversos canais de vendas que existem hoje. Temos que proporcionar algo além para trazer o consumidor até nós. Estar no shopping é viver uma experiência.

RSC: Quais são os segredos de sucesso e diferenciais do Grupo JCPM?

JCPM: Costumo dizer que não somos melhores nem piores que os demais. Somos diferentes. Temos nossa formar de atuar. Aprendi com meu pai que é preciso gostar de gente para atuar no varejo. Gosto de gente e procuro ter na minha equipe esse mesmo perfil. Partindo desse princípio, desenvolvemos nosso padrão de atendimento, nossa forma de nos relacionar com a comunidade. Respeitamos as pessoas e só prometemos o que podemos, de fato, oferecer. Gostamos de inovar, mesmo que isso implique em riscos. E não medimos esforços, nem financeiros nem de equipe, na hora de oferecer uma experiência diferente.

RSC: Quais foram os empreendimentos e as ações promovidas pelo grupo que valem a pena ser destacadas?

JCPM: No segmento de shopping, desenvolvemos empreendimentos fortemente baseados em uma arquitetura diferenciada e que fazem forte conexão entre tecnologia e sustentabilidade, com grande racionalidade de uso de recursos naturais. Outra característica é o conceito de ser um local de convergência de serviços, entretenimento, gastronomia e amplos espaços para eventos.


Mesmo em tempos de crise, nos mantivemos firmes nos investimentos, acreditando da economia do Nordeste.”


RSC: Qual é a projeção de crescimento do Grupo JCPM para 2019?

JCPM: Devemos ficar com crescimento dentro do padrão do mercado para este ano, entre 7% e 8%. Claro que em algumas praças esse percentual fica acima, porque estão se consolidando e partem de bases diferentes. Em alguns casos, chegaremos a ter dois dígitos de crescimento.

RSC: Pretendem construir novos empreendimentos ou realizar expansões no próximo ano?

JCPM: Estamos na fase de consolidar os investimentos feitos. Entre 2007 e 2016, vivemos o ritmo de inaugurar um empreendimento novo a cada dois anos. Em 2017, inauguramos a expansão do RioMar Aracaju. Ao longo desses anos, investimos cerca de R$ 2,6 bilhões entre construção e expansão. Agora, é hora de amadurecer os mercados e os empreendimentos.

RSC: O Grupo JCPM se orgulha de ser nordestino. Qual é a importância do grupo para o desenvolvimento da região?

JCPM: Nossos empreendimentos impulsionam mais de 50 mil empregos diretos no Nordeste, só no segmento de shopping. Se considerarmos o impacto na família, esse efeito econômico é ainda maior. Além disso, os shoppings são equipamentos que precisam de grandes áreas e são construídos, normalmente, em regiões pouco valorizadas. A chegada do equipamento é capaz de transformar o bairro e impulsionar economicamente o entorno.


O Shopping RioMar Fortaleza chama atenção pela arquitetura moderna, marca registrada do Grupo JCPM

RSC: Vocês pretendem expandir os negócios para outras regiões do país?

JCPM: Nosso foco sempre foi o Nordeste. Mas, surgindo oportunidades, estamos prontos para avaliar.

RSC: A seu ver, quais foram os maiores sucessos da empresa?

JCPM: Eu destacaria três grandes empreendimentos que chegaram nos municípios com uma forma diferente de se relacionar e de atuar no varejo do setor: o Salvador Shopping, o RioMar Recife e o RioMar Fortaleza. Nessas três cidades, levamos equipamentos que estrearam tecnologias, inclusive construtivas, com arquitetura até então inexistente na região e oferta de mix mais completa. A aceitação do Salvador Shopping, por exemplo, foi tão grande que a expansão foi realizada apenas dois anos depois da primeira fase. O RioMar Recife implantou uma nova forma de atuar, com força em grandes eventos.


“Nosso grande desejo é que o setor tenha uma participação maior no desenvolvimento das comunidades do entorno. Os problemas sociais do Brasil não vão se resolver apenas através do poder público. Isso é irreal. Cada um deve fazer sua parte, em maior ou menor escala.”


RSC: Poderia comentar sobre os investimentos da companhia em tecnologia e inovação?

JCPM: É uma área de extrema relevância para a empresa. Todos os setores atuam nessa direção: em inovar. O RioMar Recife, por exemplo, ficou 15% acima de um investimento convencional por adotar as mais modernas tecnologias construtivas e que impactariam na qualidade da operação. No dia a dia, usamos a tecnologia para dar comodidade ao cliente. Fomos pioneiros na região no uso de localizador de vagas livres; no Recife, estreamos o uso de aplicativo para pagar estacionamento; implantamos um sistema de ar-condicionado que se adapta, automaticamente, ao fluxo de pessoas no mall. São iniciativas que começamos a colocar no mercado ainda em 2010. Acho que o grande diferencial é associar a tecnologia ao conforto do cliente.

RSC: O que significa shopping center para o Grupo JCPM e como ele contribui para uma sociedade melhor?

JCPM: Os shoppings são empresas socialmente fortes. Além da geração formal de emprego e de renda, são ambientes de troca de experiências. Mantemos um constante diálogo com a comunidade, porque nos tornamos um local de convivência e de estímulo a debates relevantes, como o da sustentabilidade. Ao mostramos que nosso lixo é separado corretamente em uma grande central instalada dentro do shopping, gerando renda para cooperativas associadas, convencemos as pessoas a reciclarem seus lixos também.


A aceitação do Salvador Shopping pelo público foi tão grande que o empreendimento passou por uma expansão dois anos depois da inauguração

RSC: Qual é a importância dos trabalhos sociais realizados pelo grupo?

JCPM: Há mais de 30 anos, o grupo mantém a Fundação Pedro Paes Mendonça, na Serra do Machado, SE, com atendimento em saúde, acolhimento a idosos, educação integral, moradia e estímulo à geração de renda. Nas capitais onde atuamos com shoppings, temos seis unidades do Instituto JCPM de Compromisso Social com trabalho direcionado para jovens de 16 a 24 anos. Trabalhamos com as pessoas que moram no entorno, porque acreditamos que a região mais próxima deve ter prioridade no desenvolvimento econômico alavancado pelo shopping. Buscamos estar junto desses jovens, que são o futuro do país, e proporcionar oportunidades.

RSC: Qual é a relevância da sustentabilidade para a companhia?

JCPM: É tão grande que chega a influenciar na formatação do projeto. Os empreendimentos impactam diariamente milhares de pessoas e usamos esses pontos de contato para fazer com que elas repensem seus hábitos na questão ambiental. Estamos diuturnamente estudando medidas que reduzam o impacto do empreendimento no meio ambiente. E isso é decisivo na escolha dos fornecedores, da tecnologia, nas ações realizadas ao longo do ano. O RioMar Recife foi o primeiro shopping da América Latina a receber o Selo AQUA por conta das ações nessa área e pela relação de respeito com o entorno.


“Aprendi com meu pai que é preciso gostar de gente para atuar no varejo. Gosto de gente e procuro ter na minha equipe esse mesmo perfil”, revela João Carlos Paes Mendonça, que atua no varejo desde 1946 (Foto: Diego Nigro/JC)