Entrevista

Anitta mostra todo o seu poder dentro e fora dos palcos

Por  | Foto Eddy Danessi e Fabio Gonzalez | 10/2019 | Edição 226

Aos 26 anos, cantora declara estar plenamente realizada com a carreira e já pensa no futuro como empresária

Além de cantora, Anitta é empresária, sendo dona de uma produtora de vídeo e de uma consultoria para artistas

No topo do mundo. Não é exagero dizer que Anitta está nesse lugar. Basta observar sua trajetória impressionante como artista. Sucesso no Brasil e no exterior, com direito a parcerias com Caetano Veloso, J. Balvin, Maluma e, ninguém menos que a rainha do pop mundial, Madonna, ela realmente faz jus ao adjetivo “poderosa”. Não por acaso, foi com a canção “Show das Poderosas” que ganhou notoriedade em todo o país e, desde então, segue uma carreira meteórica.

A imagem vitoriosa gera admiração em brasileiras de todas as idades. Ao ser perguntada se se sente um exemplo para as meninas que almejam ter êxito em seus objetivos, responde que “sim” sem pestanejar. “Seria uma falsa modéstia falar que ‘não’, porque eu conquistei muita coisa. Quando bate alguma insegurança em mim, paro e penso em tudo que construí do zero e isso sempre me ajuda de alguma maneira. Então, com certeza”, relatou, antes de subir ao palco do Encontro Nacional de Superintendentes (Enasuper), evento promovido pela Abrasce, para falar sobre empreendedorismo.

Com apenas 26 anos, Anitta tem muito a ensinar sobre liderança e gestão. Palavra de quem saiu de uma comunidade pobre no Rio de Janeiro, assume o orgulho de suas origens e não possui receio de recomeçar do zero. “Eu era muito feliz em Honório Gurgel. Não tenho nenhum medo de voltar à realidade que tinha antes. O que mais faz as pessoas não arriscarem nos projetos ou não tomarem iniciativas novas é o medo de fracassar. Esse é o grande problema. Prefiro só contar com a possibilidade de dar certo. E se não der, acabamos vendo outro plano para resolver”, destacou.

Para a cantora, o pavor da queda está relacionado à visão das outras pessoas, caso os projetos não saiam como esperado. “Deleta a opinião dos outros e você verá que não tem razão para ter medo de nada. Se o fracasso financeiro vier, OK. Comece de novo. A questão é adaptar seu corpo e sua mente para a realidade que tem agora e para uma nova visão de sucesso.”


“Quando se é mulher e jovem, as pessoas sempre vêm com expectativas abaixo do seu potencial. Cabe a você, com o seu trabalho, ir quebrando e usando isso para abrir portas para que as próximas mulheres não precisem passar pelo mesmo.”


Desbravando o mundo

Em abril de 2019, Anitta se tornou a cantora latina mais ouvida no Spotify, com o lançamento do álbum Kisses

Reconhecida internacionalmente, Anitta contou que o início lá fora não foi nada fácil. Foi necessário muito esforço da artista para mostrar todo o potencial da música brasileira e para que ela fosse levada a sério como artista.

“Quando comecei há 4 anos, achavam que a gente falava espanhol. Outros achavam que não havia muita tecnologia aqui. Até que mostrei números, como quantidade de habitantes, marcas brasileiras no exterior e marcas internacionais aqui. Apresentei shows e artistas internacionais que vieram para cá. Fiz um dossiê para divulgar o Brasil na indústria da música, principalmente no que diz respeito ao funk.”

Com mais de 41 milhões de seguidores no Instagram e 12 milhões de inscritos no YouTube, Anitta se tornou a cantora latina mais ouvida no Spotify em abril de 2019, com o lançamento do álbum Kisses. Suas canções foram executadas mais de 10 milhões de vezes em um único dia. Vale lembrar ainda que Kisses foi indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música Urbana”. Números que só comprovam a relevância de sua trajetória.

Anitta frisou que já alcançou os maiores objetivos na carreira e que agora canta tranquila, sem a sensação de que falta algo. “Trabalho porque a vida não foi feita para a gente ficar parada. É legal sempre conhecer e evoluir de alguma maneira. Mas, agora, trabalho por prazer ou por outros desafios que coloco na minha cabeça, sem a pressão que tinha antes de que tenho que provar e fazer acontecer.”


“Não tenho medo nenhum de voltar à estaca zero, porque eu era muito feliz e tenho muito orgulho das minhas raízes. Tudo o que eu faço, faço sem medo de perder as coisas que tenho nesse momento.”


Artista múltipla

A artista afirma que deseja se aposentar jovem como cantora e se transformar em empresária: “Se eu quero me dar bem, tenho que começar agora o trabalho”

Querida entre públicos de diferentes faixas etárias e classes sociais, Anitta trabalha em diversas frentes e não apenas em cima do palco. Além de ter alavancado a própria carreira, ela tem uma produtora de vídeo e uma empresa para cuidar da trajetória e prestar consultoria para outros artistas.

“Não consigo estar presente na sede da minha empresa todos os dias. Então, tive que encontrar uma maneira de gerir mesmo estando longe. Na prática, trabalho via WhatsApp, com um grupo para cada departamento. Assim, tenho um grupo só para falar de shows, outro para debater com a assessoria de imprensa, outro para planejamentos futuros… Temos salas designadas para cada setor, com as pessoas que devem estar envolvidas nele.”

A carioca deseja se aposentar jovem como cantora e lidar com os negócios de outra maneira. “Se eu quero me dar bem como empresária daqui a 5 ou 6 anos, tenho que começar agora o trabalho.”


Relação com os shoppings

Anitta diz que embora seja difícil ir ao shopping para fazer compras, frequenta pelo entretenimento. “Adoro ir pelo teatro, cinema e restaurantes”

Anitta revelou que os shoppings estão muito presentes em sua vida desde a infância. “Acho que é uma maneira muito família de curtir o fim de semana, um entretenimento bem legal e acessível a todo mundo.”

Quando morava em Honório Gurgel, ela curtia passear no NorteShopping e hoje vai muito ao Village Mall (RJ). “O que me faz frequentar é o entretenimento. É muito difícil ir para fazer compras, mas adoro ir pelo teatro, cinema e restaurantes. Praticamente, toda semana, se estou em minha casa, no Rio de Janeiro, ou se estou em São Paulo, vou ao shopping”, afirmou, acrescentando que se pudesse fecharia as salas de cinema para dar festas para os amigos.


“Por vir de uma vertente muito popular e usar a sensualidade, sofria muito preconceito. Então, para quebrar essas barreiras, comecei a estudar. Com estudo e dedicação, acabei levando o funk para vários lugares, onde antes ele era proibido de tocar.”