JAN/FEV 2020 - Edição 227 Ano 33 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Ser acessível da obra ao atendimento

21 de janeiro de 2020 | por Solange Bassaneze
Os shoppings colocam em prática iniciativas e ações para receber com excelência pessoas com deficiência

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) baseados na Censo Demográfico de 2010, 6,7% da população brasileira possui deficiência. Essas pessoas possuem déficit mental/intelectual ou algum tipo de deficiência visual, auditiva e física, em que a pessoa tem grande dificuldade ou não consegue de modo algum enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus. 

São mais de 12,5 milhões de pessoas que precisam ter seus direitos garantidos e necessitam da mobilização do poder público, da iniciativa privada e da sociedade para que isso aconteça. As cidades brasileiras ainda estão caminhando no assunto e há muito para ser feito. 

Ilhas de excelência 

Por outro lado, temos locais altamente preparados com infraestrutura adequada e hospitalidade para esses cidadãos. Os shopping centers são um deles. Os empreendimentos mais antigos realizaram melhorias em suas instalações e os novos já são projetados de forma acessível. Esses centros de compras, convivência e conveniência investem em infraestrutura, tecnologia e treinamentos. 

O engenheiro Raphael Aguiar é um dos milhões de brasileiros que utilizam e precisam dos serviços acessíveis. Ele tem uma prótese na perna direita e enfrenta dificuldades no dia a dia que, às vezes, passam imperceptíveis por quem não tem problema de mobilidade. Seja uma rampa projetada erroneamente ou mesmo o banheiro destinado a pessoa com deficiência que permanece trancado e é necessário solicitar a chave a algum funcionário, para citar apenas alguns exemplos. 

Um dos locais com melhor acessibilidade na opinião de Aguiar é o shopping center. “Costumo ir ao MorumbiShopping, Morumbi Town e Shopping Jardim Sul com frequência com minha família. Sempre encontro vagas com facilidade. Além disso, todos dispõem de cadeira de rodas e scooters e ainda o MorumbiShopping isenta a tarifa do valet, o que facilita ainda mais”, diz.

Aguiar afirma que nunca precisou da ajuda de algum funcionário, mas sempre foi muito bem atendido. Para ele, o shopping é ainda modelo na questão de acessibilidade comparado a outros locais que frequenta. 



“É claro, não sou cadeirante, mas acabo observando tudo. Consigo visualizar quando uma loja tem um problema de circulação ou quando um banheiro de deficiente foi mal projetado”, Raphael Aguiar, engenheiro

Do anteprojeto…

Pensando em pessoas como o Raphael, o Grupo JCPM trabalha a acessibilidade desde a concepção do projeto. O tipo de piso, o tamanho dos acessos, a sinalização, os banheiros e até mesmo investimentos em tecnologia são alguns dos pontos observados. 

Segundo Lucia Pontes, diretora de Desenvolvimento Social do grupo, a JCPM foi pioneira na implantação do Hugo, uma plataforma interativa em Libras, disponível no mall do Salvador Norte Shopping. Ao acessá-la, o usuário encontra informações sobre o empreendimento. 

Tudo isso acaba fidelizando o consumidor. Para Luciana, é perceptível a evolução nas demandas e na frequência com que esse cliente visita o empreendimento. Não só a estrutura permanente recebe atenção para contemplar todos, mas também eventos temporários. 

“Em 2019, o Salvador Shopping e o Salvador Norte Shopping instalaram mirantes acessíveis para as pessoas com deficiência participarem do evento de abertura de Natal. Em Fortaleza, tivemos sessão de cinema adaptada para cegos na sala 3D da Cinépolis, além de oferecer visitas guiadas às exposições que acontecem no mall. Essa sequência de iniciativas faz com que o público se identifique com o local”, relata. 

Cida Oliveira, diretora de marketing do Grupo Tacla, também concorda que os shoppings ainda oferecem as melhores alternativas para a pessoa com deficiência (PcD). “Os ambientes são pensados desde a obra e os empreendimentos mais antigos do portfólio, como o Itajaí Shopping Center e o Palladium Ponta Grossa, passaram por adaptações. As rampas, os banheiros adaptados, as barras de apoio, o piso tátil, as vagas bem elaboradas, os elevadores com sinalização em braile. Tudo isso já é planejado no projeto para atender as necessidades básicas de acessibilidade”, explica. 

…ao atendimento 

Além disso, os colaboradores do Grupo Tacla, principalmente dos balcões de atendimento, segurança e limpeza, são orientados a atender esse público da melhor forma possível para tudo se torne mais simples. 

“Inclusive, nossos lojistas recebem recomendações para recepcioná-los. O Palladium, por exemplo, é um shopping multiúso que recebe muitas pessoas com deficiência visual e estamos preparados para ajudá-las quando necessário”, Cida Oliveira, diretora de marketing do Grupo Tacla

Para ela, os shoppings são muito mais do que centro de compras, gerando experiência e agradabilidade no atendimento. “Acredito que esse é o caminho, pois só gostamos de frequentar os lugares que nos sentimos bem. Mas, é claro, que precisamos sempre evoluir. Para 2020, temos o projeto de tornar o nosso site acessível”, diz. 

Parcerias 

Para que possa ser mais assertivo nas ações, o Grupo JCPM atua em conjunto com instituições e ONGs. O foco sempre é buscar oferecer o melhor. “Temos uma área socioambiental em cada empreendimento e um dos pilares é atuar na acessibilidade”, afirma Lucia. 

Os empreendimentos ainda são equipados com cadeira de rodas, triciclos/scooters que podem ser requisitados por quem tem dificuldade de locomoção. Nos eventos de conteúdo, realizados no Teatro RioMar Recife, há profissionais especializados em Libras para incluir todos os públicos. 

Na JCPM, a demanda de apoio chega a 450 empréstimos de cadeiras de rodas e scooters por mês, o que também envolve casos de problemas de mobilidade momentâneos. Os colaboradores da companhia também passam por capacitação oferecida pelo programa de hospitalidade, além de participar de palestras. 

“No RioMar Fortaleza, abrimos uma turma de Libras, a partir de uma parceria entre o Senac local e o Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social”, Lucia Pontes, diretora de Desenvolvimento Social da JCPM

Relatório de Sustentabilidade 2019

Segundo o levantamento da Abrasce, 87% dos shopping centers brasileiros têm iniciativas e ações de inclusão social, muitas voltadas para a pessoa com deficiência. Alguns exemplos são:

  • Sanitários exclusivos;
  • Vagas de estacionamento especiais;
  • Empréstimo de cadeiras de rodas; 
  • Funcionários qualificados para prestar atendimento;
  • Mesas na Praça de Alimentação destinadas a esse público;
  • Sinalização e comunicação em braile nos elevadores;
  • Corrimão em todas as escadarias;
  • Telefones públicos e bebedouros mais baixos;
  • Rampas de acesso com inclinação de 1:12 ou 8%;
  • Guias rebaixadas em estacionamento e vagas especiais próximas às entradas;
  • Contratação de pessoas com deficiência.
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