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Como decisões estratégicas sustentam a longevidade do Grupo JCPM

10 de abril de 2026 | por Solange Bassaneze | Fotos: Divulgação
Com visão de longo prazo, a companhia equilibra avaliação de riscos, investimentos e impacto social para se manter relevante em um setor em permanente transformação

O Grupo JCPM tem uma história marcada por protagonismo, capacidade de adaptação e forte compromisso com o desenvolvimento das regiões onde atua. Fundado em 1935, tem o Nordeste como eixo de atuação e acompanha as transformações do varejo e da sociedade, sempre com foco na perenidade dos negócios e na qualidade das entregas.

Desde a entrada no segmento de shopping centers há 26 anos, tem contribuído de forma consistente para a evolução do setor. Empreendimentos como Salvador Shopping, RioMar Recife, RioMar Fortaleza e RioMar Aracaju tornaram-se referências por integrar consumo, lazer, gastronomia e cultura, além de gerar impacto econômico e social relevante. Atualmente, são 11 shoppings no portfólio. 

Em entrevista à Revista Shopping Centers, João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM e do Conselho de Administração, revisita momentos decisivos dessa trajetória e compartilha os princípios que sustentam a longevidade da companhia. Aos 87 anos, segue com espírito empreendedor, destacando a importância da cultura organizacional, do respeito às pessoas, da sustentabilidade e da atuação responsável nas comunidades.

João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM 
Revista Shopping Centers – Com uma trajetória inspiradora de 90 anos de negócios, sendo 26 anos no segmento de shopping centers, quais momentos o senhor destacaria como mais marcantes na caminhada do Grupo JCPM?

João Carlos Paes Mendonça -Temos alguns marcos. Um dos momentos mais desafiadores foi a abertura de capital quando ainda atuávamos em supermercados. Isso foi em 1996, quando fizemos cerca de 50 reuniões para vender a imagem do Brasil, do Nordeste e do nosso Grupo. Outro momento decisivo e marcante foi a saída desse setor, em 2000, quando o segmento de shopping ganhou mais força na empresa. À época, já tínhamos participação no Shopping Tacaruna (1997) e, a partir de então, fomos ampliando. Iniciamos a fase de grandes construções, como Salvador Shopping, RioMar Recife e RioMar Fortaleza. Do ponto de vista emocional e de formação e olhando bem para trás, acredito que o incêndio do armazém, em 1959, tenha sido um momento de muita dificuldade, resiliência, ensinamento. Pude ver o quanto o relacionamento com clientes e até com a concorrência foram e são importantes. Tivemos ajuda de todos para nos reerguer, depois que perdemos tudo.

RSC – Aos 87 anos, o senhor mantém uma presença ativa na condução da companhia. De onde vem essa disposição contínua para empreender, liderar e tomar decisões, servindo de exemplo não apenas para os profissionais do Grupo JCPM, mas para todos que conhecem sua história?

JCPM – Há uma diferença entre empreendedor e empresário. O empresário busca o sucesso dos negócios, a rentabilidade, traça metas e conclui. Penso que o empreendedor é um constante idealizador e realizador. O lucro não basta, o processo e o desafio é que importam. A cabeça está sempre se desafiando a explorar iniciativas ainda não aplicadas.

Com mais de 400 lojas, RioMar Fortaleza é um dos ativos mais modernos e completos do país
RSC – Na sua visão, qual é o principal diferencial do Grupo JCPM para manter relevância e crescimento ao longo de tantas décadas?

JCPM – A conexão e a preocupação constante com o consumidor, com a qualidade da entrega, independente do setor em que estamos atuando ou o negócio em questão. Do ponto de vista da consistência da nossa expansão, aprendemos muito com nossos erros do passado. Hoje, avaliamos muito cada passo para que ele seja viável e se consolide, ao contrário de impactar negativamente. 

RSC – Empresário por vocação e com aprendizado precoce na arte de lidar com pessoas, como o senhor traduziu essa experiência na cultura e na gestão do Grupo JCPM?

JCPM – De fato, a cultura da empresa é uma das fortalezas, mas também é algo complexo de “ensinar”. Porque depende do entendimento verdadeiro das razões pelas quais escolhemos certos caminhos, do porquê agimos e como agimos. E isso não pode ser seguido apenas por uma determinação. Mas sim pela prática diária. Não adianta dizer que respeitamos as pessoas, os clientes e a sociedade, e tratarmos mal os colaboradores. A probabilidade de ele desrespeitar o cliente é grande. Porque, majoritariamente, só respeita quem se sente respeitado. 

RSC – Em relação aos shoppings do Grupo JCPM, quais foram os últimos investimentos em expansão e revitalização? Há novos projetos em andamento ou planejados para 2026? O grupo tem interesse em fazer investimentos em aquisições ou greenfield?

JCPM – Expansão no setor de shopping tem um grande desafio no momento: a existência de terrenos para implantação de shoppings dentro do nosso padrão. Diante disso, temos investido em tecnologia e modernização da atual carteira, com 11 empreendimentos. Inclusive, a mais recente foi a do Shopping Recife. E outros serão modernizados. Nós tivemos uma década de grandes investimentos, entre 2007 e 2016, quando saímos de seis shoppings para 11, inaugurando os mais modernos shoppings da região. Estamos atentos às oportunidades do Nordeste, que é o nosso grande foco.

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O Salvador Shopping é um ativo com amplo mix e uma referência em gastronomia na capital baiana
RSC – Com as mudanças no comportamento do consumidor, quais têm sido os principais movimentos do Grupo JCPM em relação ao tenant mix de seus shoppings? Existem segmentos do varejo que ganharam mais espaço? Por estarem no Nordeste, há alguma tendência mais particular desta região do país?

JCPM – O lazer, a gastronomia e, entendendo o valor das lojas satélites, temos apostado em boas operações, inclusive locais, nessa área, além de estarmos sempre buscando marcas diferenciadas para o Nordeste.

RSC – Atualmente, quantos empregos diretos e indiretos são proporcionados pelos shoppings do Grupo JCPM, e de que forma esses números impactam as comunidades onde estão inseridos?

JCPM – Quando olhamos para os empregos do condomínio, lojistas, administração e os terceirizados, passamos de 45 mil. Uma parte desses empregos é ocupada por pessoas das comunidades onde estão inseridos, sobretudo, os jovens que passam pelas unidades do Instituto JCPM de Compromisso Social. É uma forma de desenvolvimento conjunto.

RSC – Ao analisar 2025, como o senhor avalia o fluxo de visitantes, as vendas e a taxa de ocupação?

JCPM – O fluxo foi razoavelmente bem em 2025. O Brasil ainda tem grandes desafios para que o comércio se mantenha com vendas de forma mais constante. A questão do endividamento das famílias ainda segura muito as vendas. De qualquer forma, tivemos um bom ano na empresa. Sobre a vacância, temos empreendimentos com localizações privilegiadas e bom fluxo, a vacância média dos nossos shoppings chega a ficar abaixo do mercado.

Inaugurado em 1989, o RioMar Aracaju fica localizado entre o Rio Sergipe e o mar, região de um dos cartões postais da cidade
RSC – E qual é a expectativa para 2026? O que deverá ser mais desafiador?

JCPM –  O nosso desafio é a economia, o endividamento das famílias e a estabilidade política. Em um ano com eleição, tudo fica muito instável. Mas mantemos sempre a boa expectativa, sobretudo, porque os primeiros dias do ano foram positivos.

RSC – Em relação à sustentabilidade, quais têm sido os principais avanços do Grupo JCPM? E o que a participação na COP30 agregou a essa agenda?

JCPM – Eu acredito que nossa grande conquista é o modelo mental da equipe. Todos pensam e priorizam suas atividades conectadas com a sustentabilidade, do ponto de vista ambiental, e da perenidade da empresa, com visão de futuro. A equipe se desafia sobre como podemos estar lado a lado desenvolvendo regiões, enquanto preservamos o entorno. Termos ido para a COP foi uma demonstração do nosso compromisso em realizar ações de impacto para fora dos nossos muros.

O projeto de revitalização de áreas verdes, desenvolvido pelo Grupo JCPM no entorno do RioMar Recife, foi destaque na COP30
RSC – Não posso deixar de mencionar, nesta entrevista, o magnífico trabalho desenvolvido pelo Instituto JCPM, que transforma a realidade de muitas pessoas, sempre com um olhar humanizado voltado às comunidades do entorno dos shoppings. Como é acompanhar tudo o que foi construído e os resultados colhidos até agora?

JCPM – O Instituto trabalha de forma ampla, não só focado em formações e qualificações específicas, mas também para a vida, como cidadãos e suas responsabilidades na sociedade. Me emociono sempre que ouço um relato, às vezes do próprio jovem, sobre a mudança que o apoio do Instituto foi capaz de fazer na vida dele e na da família. E sempre penso que um jovem consciente dos seus direitos e com apoio para se desenvolver é capaz de levar a família junto. Isso me dá uma imensa alegria.

RSC – Considerando os 50 anos da Abrasce e os 60 anos do setor de shopping centers em 2026, que mensagem o senhor gostaria de deixar sobre esse período e o desenvolvimento do setor? E, nesse contexto, como avalia o papel do Grupo JCPM na consolidação e fortalecimento dos shopping centers no Nordeste e no Brasil?

JCPM –  É um setor que se transformou com o tempo e que tem sido capaz de trazer para o varejo e para o consumidor brasileiro iniciativas modernas, criando um local confortável, proporcionando lazer, boa gastronomia e cultura. No caso especificamente do Grupo, penso que impulsionamos uma forma de construir e operar que virou referência em algumas cidades da região. A Abrasce é uma entidade que tem prestado importantes serviços e que tem potencial de fortalecer a representação em todos os estados brasileiros.

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