SET/OUT 2026 - Edição 267 Ano 39 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Um setor que transforma histórias e constrói o futuro

20 de outubro de 2026 | por Glauco Humai

Celebrar a história dos shopping centers é reconhecer a capacidade de um setor que, ao longo das décadas, soube acompanhar as transformações da sociedade, reinventar modelos de negócio e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento das cidades e para a vida das pessoas.

Nesta edição da Revista Shopping Centers, dois empreendimentos emblemáticos, o Shopping da Bahia e o Ibirapuera Shopping, chegaram aos 50 anos. Suas histórias revelam muito mais do que a evolução do varejo brasileiro. Elas mostram como os shopping centers se consolidaram como espaços de convivência, destinos de lazer e serviços e parte da memória afetiva de diferentes gerações. Ao mesmo tempo, evidenciam que a longevidade está diretamente relacionada à capacidade de inovar, investir e se manter relevante diante de novos hábitos e expectativas de consumo.

Essa habilidade de adaptação também se manifesta na transformação das estratégias de varejo, como demonstra o avanço das marcas nativas digitais para o ambiente físico. A integração entre lojas, quiosques e plataformas on-line revela que a experiência presencial ganhou um papel estratégico na experimentação de produtos, na construção de confiança e no fortalecimento do relacionamento com os consumidores. 

Essa perspectiva de transformação também se reflete em uma das grandes oportunidades para o futuro do setor, o tema da nossa capa: o wellness. Cada vez mais associado à qualidade de vida, à saúde, ao autocuidado e às conexões sociais, o bem-estar amplia as possibilidades de atuação dos empreendimentos e reforça seu papel na rotina dos consumidores.

Mais do que incorporar novas operações ao mix, esse movimento convida o setor a pensar a experiência de maneira integrada. Academias, clínicas, serviços de saúde, gastronomia, áreas verdes e atividades que estimulam a convivência são exemplos de como os shopping centers podem criar razões para a visita, ampliar a frequência e fortalecer os vínculos com as comunidades em que estão inseridos.

Trata-se de compreender que as pessoas buscam cada vez mais lugares que atendam às diferentes dimensões de suas vidas. Nesse contexto, os shoppings têm a oportunidade de combinar conveniência, experiências e relacionamento, valorizando a diversidade de públicos e respeitando as características de cada empreendimento e de seu entorno.

O futuro exige visão estratégica, investimentos, inovação e, sobretudo, escuta ativa dos consumidores. Exige também reconhecer que cada empreendimento possui uma identidade, uma vocação e uma relação particular com sua comunidade — elementos fundamentais para construir experiências autênticas e sustentáveis no longo prazo.

Ao celebrarmos trajetórias que atravessam gerações e, simultaneamente, olharmos para movimentos que redefinem a experiência de consumo, reafirmamos a força de um setor que não se limita a acompanhar as mudanças: participa ativamente delas.

Boa leitura!
Glauco Humai

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