MAI/JUN 2026 - Edição 265 Ano 39 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Mixue aposta no franchising para inaugurar até 100 lojas no país em 2026

26 de junho de 2026 | por Solange Bassaneze | Fotos: Divulgação
Com preços acessíveis, operação padronizada e cardápio ajustado ao consumidor brasileiro, a rede avança com foco em escala e capilaridade

Mais uma gigante chinesa do varejo global escolhe o Brasil como eixo de expansão internacional. Fundada em 1997 pelos irmãos Zhang Hongchao e Zhang Hongfu, a Mixue nasceu como uma operação voltada a bebidas e sorvetes de baixo custo e, ao longo de quase três décadas, construiu um modelo baseado em escala, padronização e verticalização, que hoje sustenta sua presença global. Se consolidou como a maior rede de fast-food do mundo, com mais de 47 mil operações, superando McDonald’s e Starbucks em número de unidades, com um negócio sustentado por preços acessíveis — com produtos a partir de R$ 3 — e por um modelo altamente padronizado. 

A entrada no país faz parte do planejamento estratégico global da companhia, que vê no mercado brasileiro a principal porta de entrada para a América Latina, pelo tamanho territorial, pela densidade populacional, pela relevância econômica e por ter um perfil de consumidor aberto a novidades. Com isso, a empresa prevê um aporte de aproximadamente R$ 3,2 bilhões até 2030, contemplando desde a abertura de pontos de venda até a estruturação da cadeia de suprimentos e logística.

Registro do dia da abertura da primeira unidade no país no Shopping Cidade São Paulo

E a cidade de São Paulo foi eleita como ponto de partida com a primeira unidade própria sendo instalada no Shopping Cidade São Paulo. “A escolha pela capital paulista não é difícil de explicar porque é um ícone e a Avenida Paulista é um centro financeiro, com grande fluxo de pessoas, inclusive de muitos turistas”, afirma Tian Zezhong, CEO da Mixue no Brasil. O executivo também destaca o papel da SYN, administradora e empreendedora do ativo, durante o período de negociação. “Eles foram muito solícitos, deram muito apoio desde o início até o estabelecimento do ponto, tudo se deu em cerca de um mês.” 

Segundo Jéssica Zanela, gerente de marketing do Shopping Cidade São Paulo, a chegada da Mixue reforça o posicionamento do ativo como vitrine para operações internacionais em sua estreia no país. “Já temos essa vocação de trazer novidades e estamos numa localização icônica, no meio da Avenida Paulista — os players asiáticos veem isso muito com bons olhos”, diz. O ativo já recebeu a primeira loja da Huawei, a primeira pop-up oficial do BTS na América do Sul, a pop-up da Kwai, além de ativações da Keeta, conectando o público a tendências globais. Com cerca de 12 milhões de visitantes ao ano e taxa de ocupação próxima de 98%, o shopping aposta em uma curadoria precisa e tem uma expectativa de aumento de fluxo para o mall. “A gente sempre busca a loja certa para o lugar certo e essa inauguração traz um aumento de 8% a 10% no fluxo de pessoas”, afirma. Destaca ainda que a chegada de grupos chineses contribui para o varejo de forma mais ampla. “Isso acaba mexendo no mercado de maneira geral, até para as outras operações se ajustarem. No final do dia, é bom para todo mundo, principalmente para o consumidor, que passa a ter mais opções”, reforça Jéssica.

Capilaridade em construção

Tian Zezhong, CEO da Mixue no Brasil

Com a previsão de um plano de expansão acelerado, a rede tem o cuidado de fazer uma leitura do comportamento de consumo. Durante a pesquisa de mercado realizada pela companhia, constataram que os brasileiros gostam de realizar compras em shopping centers, o que justificou a escolha pela abertura nestes empreendimentos. “Mas a expansão não está direcionada somente para esses locais. Acontecerá onde está o consumidor”, diz o executivo. Nesse sentido, a marca também já avançou em pontos de rua com alta circulação, como a região da Rua 25 de Março, o Bom Retiro e o Campo Limpo.

A companhia também tem mapeado novos mercados, como conta Zezhong: “No segundo semestre, teremos a inauguração da primeira unidade no Rio de Janeiro. São dez pontos em negociação para atender o público carioca”. E o plano de expansão no Brasil é ambicioso e pode alcançar até 100 unidades em 2026. “Em uma visão mais conservadora, podemos considerar 60 novas lojas, mas o mercado brasileiro tem potencial para chegarmos a esse número até o fim do ano.”

Esse crescimento será conduzido principalmente por meio do franchising e de forma gradual, com foco na consistência operacional. “A expansão é bem controlada. O franqueado precisa atender aos padrões, porque precisamos garantir a qualidade para o consumidor final”, explica. 

Em um primeiro momento, o modelo de negócio se restringe a operações com, no mínimo, 50 m² de ABL. A Mixue, no entanto, já considera a possibilidade de diversificação de formatos. “Mais para frente, podemos introduzir quiosques e unidades menores para atender outras negociações”, explica o CEO da Mixue no Brasil. Do ponto de vista financeiro, a companhia ainda não divulga estimativas de faturamento, mas confirma que o investimento, por sua vez, será progressivo. Segundo o plano anunciado, a estratégia no país também inclui a implantação da primeira fábrica da companhia fora da China. 

A limonada é um dos campeões de venda ao lado da casquinha

Entre bebidas e sorvetes 

Para operar em um país tropical, a rede adaptou o cardápio ao paladar brasileiro, com ajustes na formulação das bebidas e a inclusão de itens como o açaí. A personalização é outro diferencial. “O cliente pode escolher o nível de açúcar, a quantidade de gelo, a temperatura e os adicionais.  A limonada, por exemplo, um dos carros-chefe da marca, pode ser preparada de diferentes formas, com ou sem açúcar, com ou sem gelo, só com limão e água. É feita com poucos ingredientes, bem natural e refrescante, e custa apenas R$ 6.” Essa bebida, inclusive, é feita com limão fresco adquirido no mercado nacional e se junta à casquinha de sorvete como destaque de vendas. Entre os insumos, o leite, o creme de leite e o café também já são adquiridos da indústria brasileira. 

O que também se destaca na operação é o maquinário utilizado, pois conta com tecnologia para garantir padronização e eficiência. “A produção é praticamente automatizada. O pedido gera um QR Code, o qual é escaneado na máquina, e ela libera automaticamente a quantidade exata de ingredientes.” O sistema reduz a interferência humana e assegura consistência entre as unidades.

Os treinamentos e a capacitação dos colaboradores são realizados com o apoio de expatriados

Movimentando a economia

A chegada desta marca chinesa gera renda e emprego, sendo que mais de 90% das vagas serão destinadas à mão de obra local e contam ainda com expatriados para implantar e treinar as equipes.

Cada loja conta, em média, 20 funcionários, sem considerar folguistas e horas extras. Se as cem unidades previstas forem inauguradas, serão mais de 2 mil empregos diretos apenas em 2026, sem considerar os indiretos envolvendo fornecedores, logística e distribuição. 

Complementando o mix de produtos

Além da alimentação, a marca traz uma linha de produtos de lifestyle, prática já consolidada em outros mercados. Tendo o mascote Snow King como elemento central, a empresa comercializa itens como brinquedos, caixas surpresas, imãs de geladeira, pelúcias e outros produtos colecionáveis.

A estratégia prevê a ampliação gradual desse portfólio no país. “Na China, temos a linha completa de casa e, aos poucos, devemos introduzir por aqui também”, afirma.

mixue mascote
Em breve, a rede deve aumentar a linha da loja do mascote

Com o clima de Copa do Mundo, a marca também preparou iniciativas para abarcar o universo do futebol.  E essa conexão com a cultura local também aparece nas estratégias de marketing e deve ser explorada, assim como na China, por meio das redes sociais. Segundo Zezhong, embora a empresa replique aprendizados de sua forte presença digital na Ásia, o conteúdo será ajustado ao país. “Nossa equipe de marketing analisa o perfil do público brasileiro e usa as mídias sociais, considerando as redes que o consumidor mais gosta de acessar.”

mixue paulista
Ativação com os personagens Snow King na Avenida Paulista, em frente ao Shopping Cidade São Paulo

Perspectiva otimista

Zezhong afirma que a expectativa da companhia em relação ao Brasil é alta e está diretamente conectada ao comportamento do consumidor local, que ele define como um dos principais diferenciais do mercado. Ao sintetizar a visão da marca para o país, o executivo recorre a um único termo: “receptividade”. A abertura do consumidor brasileiro a novas experiências não apenas favorece a entrada da Mixue, como sustenta o potencial de crescimento da operação no longo prazo, consolidando o Brasil como um dos mercados estratégicos da companhia fora da Ásia.

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