JHSF faz da curadoria uma estratégia
Com olhar apurado para o cliente, companhia combina marcas, gastronomia, serviços e experiências que dão identidade aos seus shoppings
Com atuação em diferentes segmentos, a JHSF possui um ecossistema voltado ao público de alta renda que reúne shopping centers, fashion retail, hospitalidade, gastronomia, aeroporto executivo, curadoria marítima, desenvolvimento imobiliário, locação residencial, clubs e gestão de ativos. Em suas diferentes frentes, a companhia busca integrar negócios, marcas e experiências, com foco em atividades de renda recorrente e de alto padrão. No setor de shopping centers, o portfólio da JHSF Malls está concentrado no estado de São Paulo e reúne o Shopping Cidade Jardim, o CJ Jardins, o Catarina Fashion Outlet, o Boa Vista Market e o CJ Boa Vista Village, inaugurado em maio de 2026, em Porto Feliz.
O momento atual tem sido marcado pela expansão do Shopping Cidade Jardim, que recebe novas marcas internacionais e operações gastronômicas, chegando a aproximadamente 52 mil m² de ABL. Além disso, novos investimentos seguem na estratégia da companhia, como o CJ Shops Faria Lima em desenvolvimento na capital paulista com inauguração prevista para 2027, além da 4ª expansão do Catarina Outlet Premium. Em entrevista à Revista Shopping Centers, Joe Powell, diretor-geral da JHSF Malls, detalha a estratégia da companhia para seus empreendimentos e como a curadoria, o conhecimento sobre o cliente e a evolução da experiência orientam a operação dos shoppings.

Revista Shopping Centers – Ao longo da trajetória, a JHSF acompanhou — e, em muitos momentos, antecipou — importantes transformações dos shopping centers no Brasil. Em um ano em que o setor celebra 60 anos de história, como avalia a contribuição da companhia para essa evolução e quais marcos considera mais representativos?
Joe Powell – A JHSF desenvolve shopping centers com uma visão que vai além da função tradicional de um centro de compras. Essa forma de pensar orientou nossas decisões ao longo das últimas décadas e nos levou, em diversos momentos, a antecipar movimentos que hoje fazem parte da evolução do setor.
Ao longo dos anos, buscamos desenvolver empreendimentos que reunissem arquitetura, paisagismo, gastronomia, serviços e uma curadoria de marcas capaz de fortalecer a conexão entre marcas e clientes. Esse direcionamento está presente em alguns dos principais projetos da companhia. A inauguração do Shopping Cidade Jardim introduziu um novo conceito de shopping center no Brasil. Anos depois, o Catarina Fashion Outlet trouxe ao país um modelo de outlet inspirado nas principais referências internacionais. Mais recentemente, a abertura do CJ Boa Vista Village levou, pela primeira vez para fora de São Paulo, o conceito do Cidade Jardim. Nesse novo contexto, a curadoria de marcas, gastronomia e serviços passou a integrar um empreendimento de uso misto, em diálogo com residências, hospitalidade, esporte e outras atividades do Boa Vista Village, em Porto Feliz (SP).



RSC – O Shopping Cidade Jardim passa por uma expansão que reúne a chegada de marcas inéditas na América Latina, a ampliação de grandes maisons e novos conceitos de varejo e gastronomia. O que esse movimento representa dentro da estratégia da companhia?
JP – Essa é a maior expansão da história do Shopping Cidade Jardim e representa um novo capítulo na evolução do empreendimento. Ela reforça o posicionamento do Cidade Jardim como o principal destino voltado ao público de alta renda da América Latina e reflete uma trajetória construída ao longo de 18 anos.

Nesse período, consolidamos uma relação de confiança com clientes e com algumas das principais marcas internacionais. Essa expansão é resultado dessa construção de longo prazo. A primeira entrega dessa nova fase aconteceu em julho, com a inauguração da maior loja da Dior na América Latina. Na sequência, o projeto contempla novas flagships de marcas globais como Prada, Chanel, Hermès e Tiffany & Co., além da chegada da primeira loja da Loro Piana no continente.
Esse movimento acompanha a evolução do mercado brasileiro. O consumidor espera encontrar aqui o mesmo nível de excelência disponível nos principais destinos internacionais, e as marcas reconhecem que o Cidade Jardim reúne as condições para oferecer esse padrão. A expansão amplia a capacidade do empreendimento de receber projetos cada vez mais relevantes e fortalece seu papel como plataforma estratégica para o desenvolvimento das principais maisons internacionais.
RSC – Falando agora sobre o Boa Vista Village, qual foi a visão que orientou o desenvolvimento do CJ Village Boa Vista dentro desse complexo e como têm sido os primeiros meses de funcionamento?
JP – O CJ Boa Vista Village representa a consolidação de uma visão que a JHSF vem desenvolvendo no Complexo Boa Vista há quase duas décadas. A proposta foi levar a curadoria e os atributos que fizeram do Shopping Cidade Jardim uma referência para o público de alta renda a um empreendimento integrado a residências, hospitalidade, esporte, gastronomia, serviços e varejo.
Com mais de 15 mil m² de ABL e cerca de 100 operações, reúne marcas internacionais como Louis Vuitton, Chloé, Pucci, Brunello Cucinelli, Aquazzura e Gianvito Rossi, além das estreias na América Latina de James Perse e Fusalp. A oferta também combina gastronomia, cultura e entretenimento, com restaurantes como Pobre Juan e Forneria Bernacca, a primeira unidade do Empório Varanda no interior de São Paulo, um espaço cultural permanente e haverá ainda dez salas de cinema supervips. O projeto também incorpora elementos que ampliam essa proposta, como o carrossel assinado por Sig Bergamin, na área central do empreendimento, e a Igreja Nossa Senhora das Graças, com vitrais de Vik Muniz.
Os primeiros meses de funcionamento têm confirmado que essa visão faz sentido. Ver como clientes, moradores, frequentadores e as próprias marcas incorporaram o CJ Boa Vista Village à dinâmica do complexo reforça a estratégia de desenvolver empreendimentos que acompanham o cliente em diferentes momentos da vida e ampliam as possibilidades dentro do ecossistema da companhia.



RSC – Como analisa as vendas, a taxa de ocupação e o fluxo de visitantes ao longo de 2026 nos shoppings? Quais fatores contribuíram mais para esses resultados?
JP – Os resultados do segundo trimestre reforçam a consistência da estratégia que adotamos para nossos shopping centers. As vendas nas mesmas lojas cresceram 5,7% e as vendas totais avançaram 6,0%, para R$ 1,3 bilhão. Os aluguéis nas mesmas lojas cresceram 10,7% na comparação anual, enquanto a taxa de ocupação consolidada chegou a 98,2%, com destaque para o Shopping Cidade Jardim, que manteve 100% de ocupação.
Esse desempenho combina a qualidade do nosso portfólio com uma gestão próxima dos ativos e dos lojistas. A curadoria de marcas, a evolução da oferta de gastronomia e serviços e a qualificação permanente dos empreendimentos são elementos importantes dessa estratégia. Ao mesmo tempo, seguimos ampliando o portfólio, com a inauguração do CJ Boa Vista Village e os avanços na expansão do Shopping Cidade Jardim.
Acredito que um dos principais diferenciais da JHSF está na capacidade de fazer os ativos evoluírem sem perder a identidade que os tornou relevantes para o cliente. É esse equilíbrio entre curadoria, inovação e disciplina na gestão que sustenta a atratividade dos nossos shoppings e cria espaço para novas marcas e negócios.




RSC – Em relação ao mix, quais segmentos passaram a ganhar maior protagonismo nos últimos anos e como a estratégia de trazer novas marcas internacionais colabora para essa evolução?
O conceito de mix evoluiu muito nos últimos anos. Hoje, ele não se resume à composição entre diferentes categorias de varejo, mas à capacidade de construir uma oferta relevante e coerente para o cliente.
Observamos uma participação cada vez maior de gastronomia, bem-estar, serviços especializados e operações capazes de oferecer experiências diferenciadas. Ao mesmo tempo, seguimos ampliando a presença de marcas internacionais e fortalecendo operações já consolidadas.
Mas a curadoria continua sendo o principal diferencial da JHSF. Não buscamos simplesmente aumentar o número de lojas. Nosso objetivo é construir um portfólio coerente, em que cada operação contribua para fortalecer a identidade do empreendimento e gerar valor para clientes e lojistas.
RSC – Quais iniciativas a companhia implementou nos últimos tempos para elevar ainda mais a experiência do consumidor e como tecnologia, dados e inteligência têm contribuído para personalizar essa jornada?
Nos últimos anos, temos investido continuamente na qualificação da experiência dos nossos empreendimentos, sempre com o objetivo de tornar a jornada do cliente mais fluida, conveniente e personalizada. Isso passa tanto pela evolução dos espaços físicos quanto pelo fortalecimento das ferramentas de relacionamento e inteligência de dados que apoiam nossas decisões.
A partir do conhecimento gerado pelas diferentes frentes do ecossistema da JHSF, conseguimos compreender com mais profundidade os hábitos, preferências e padrões de consumo dos nossos clientes. Essas informações contribuem para aprimorar a curadoria de marcas, gastronomia, serviços e eventos, além de permitir iniciativas de comunicação mais relevantes e personalizadas.
A tecnologia tem um papel importante nesse processo, mas entendemos que ela deve atuar como facilitadora da experiência. Nosso objetivo não é substituir o relacionamento humano, e sim torná-lo mais eficiente e qualificado. No segmento em que atuamos, atenção aos detalhes, conveniência e capacidade de antecipar expectativas continuam sendo elementos fundamentais para fortalecer o vínculo com o cliente e ampliar a atratividade dos nossos empreendimentos.


RSC – A JHSF construiu uma trajetória associada ao mercado de alta renda. Quais elementos são fundamentais para manter esse posicionamento e se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo?
Tudo começa pelo cliente. Procuramos entender com profundidade suas necessidades, expectativas e hábitos. Foi essa visão que permitiu à JHSF consolidar o maior ecossistema voltado ao público de alta renda da América Latina, conectando shopping centers, hospitalidade, gastronomia, desenvolvimento imobiliário, aviação executiva, clubs e outros negócios de maneira integrada e acompanhando o cliente em diferentes momentos da vida.
Esse conhecimento orienta nossas decisões. A curadoria de marcas, a seleção da oferta gastronômica e de serviços, a arquitetura, o paisagismo e cada detalhe dos nossos empreendimentos são pensados para oferecer uma experiência alinhada ao posicionamento da companhia. Acreditamos que a diferenciação está na qualidade das escolhas que fazemos e na excelência com que executamos cada uma delas.
Cada novo empreendimento, cada marca que passa a integrar nossos ativos e cada decisão de investimento precisam fortalecer a identidade da companhia. É essa coerência que permite ampliar o ecossistema, aprofundar o relacionamento com os clientes e preservar os atributos que diferenciam nossos negócios.






RSC – A Abrasce completa 50 anos em 2026. Como avalia o papel da entidade na consolidação e no desenvolvimento desse mercado ao longo dessas décadas?
A trajetória da Abrasce acompanha a própria evolução do setor de shopping centers no Brasil. Ao longo dessas cinco décadas, a entidade desempenhou um papel importante na disseminação de conhecimento, na profissionalização do mercado e na construção de um ambiente de diálogo entre empreendedores, varejistas e demais participantes da cadeia.
Em um setor que se reinventa continuamente, esse trabalho ganha ainda mais relevância. Celebrar os 50 anos da Abrasce também é reconhecer a capacidade da indústria de evoluir, incorporar novas tendências e continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico, urbano e social do país.




