JUL/AGO 2025 - Edição 260 Ano 38 - VER EDIÇÃO COMPLETA

A visão estratégica da Terral Shopping Centers para os 12 ativos do portfólio

19 de agosto de 2025 | por Solange Bassaneze / Fotos: Divulgação
O diretor-geral Márcio Rehder fala sobre os futuros planos de expansão e os investimentos realizados em digitalização e na agenda ESG

Fundado em 1987, o Grupo Terral atua em diversos setores da economia — como energia, construção civil, incorporação imobiliária e infraestrutura — e, desde 1994, consolidou sua atuação no mercado de shoppings por meio da Terral Shopping Centers. A companhia soma atualmente 12 empreendimentos em seu portfólio e avança em frentes como transformação digital, projetos multiuso, futuras expansões e práticas ESG.

Em entrevista exclusiva à Revista Shopping Centers, o diretor-geral Márcio Rehder compartilhou os planos para os próximos anos, detalhou os investimentos em inovação e gestão de dados, falou sobre os resultados alcançados em 2025 e destacou o papel social dos shoppings na vida das comunidades locais. Confira a visão estratégica por trás do crescimento consistente da companhia.

Revista Shopping Centers – O Grupo Terral atua em diversos segmentos da economia e entrou no mercado de shopping centers em 1994. Quais os momentos mais relevantes dessa trajetória neste setor? 

Márcio Rehder – Destacaria alguns ciclos. Por ser uma empresa de engenharia, a Terral tem o DNA de construção e desenvolvimento e isso contribui para a implantação da indústria no Brasil, predominantemente no estado de Goiás. Então, foram vários shoppings desenvolvidos e construídos. O primeiro shopping foi o Buriti Shopping que já tem quase 30 anos e o último foi o Buriti Shopping Rio de Verde, inaugurado em 2014. A partir daí, tem a consolidação dos shoppings e, pois, além de desenvolvedora, se consolida com uma operadora do setor, inaugurando shoppings no Sudeste em paralelo no decorrer deste período. 

Agora, estamos muito mais voltados para os projetos de transformação, a exemplos dos gastronômicos, e de desenvolvimento de multiusos em alguns shoppings. No Buriti Shopping Mogi Guaçu temos uma parceria com um incorporador local para implantar seis torres residenciais em nosso terreno, cujo projeto está em fase de aprovação, com a previsão de início das obras em 2026. Então, diria que, além desses projetos de transformação, a companhia evoluiu e consolidou seu modelo de gestão, com foco em resultados, em eficiência operacional, em fazer parcerias ganha-ganha – que sejam boas para todas as partes. 

Hoje, temos um portfólio com 12 shopping centers, sendo que o Mega Polo Moda tem o modelo de negócio diferente do convencional, voltado ao atacado no modelo B2B, em que fabricantes vendem para lojistas. Os demais são shopping centers voltados ao varejo convencional. No total, os nossos ativos têm 262 mil ㎡ de ABL e contam com um total de 1.300 lojas.

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Márcio Rehder, diretor-geral da Terral Shopping Centers
RSC- Como estão os planos de revitalização e expansão ou mesmo estudos em relação a greenfields? 

MR – Temos alguns projetos novos. Inauguramos agora em agosto um espaço gastronômico de 3 mil ㎡ de ABL, no Buriti Shopping, assinado pela Design Corp, escritório canadense de arquitetura. A área comporta até quatro restaurantes, sendo que o Outback já inaugurou. O Camarada Camarão está em obras com previsão de abertura em novembro. A grande diferença está no lifestyle, pois é um terraço com vista para a Goiânia, algo que não tínhamos no empreendimento.

O antigo espaço era ocupado por um supermercado e passou por revitalização. Temos uma varanda gastronômica no Buriti Shopping Rio Verde com restaurantes regionais.

Em Buriti Shopping, adotamos a estratégia de trazer marcas nacionais.

Em relação a greenfields, continuamos estudando oportunidades. Sobre expansões, estamos mais animados, assim como todo setor, e temos quatro projetos em desenvolvimento em um horizonte de dois anos. O primeiro será uma expansão na praça de alimentação do Buriti Shopping Guará, temos ainda estudos de expansão no Brasil Park Shopping, Shopping Sul e Águas Lindas Shopping. Eles entrarão na fase mais avançada de projetos. 

Vista do Terraço Buriti, inaugurado em agosto
RSC – Como estão as vendas, fluxo e taxa de ocupação dos ativos em 2025? 

MR – Em 2024, recebemos 50 milhões de visitantes, e o fluxo se manteve igual no primeiro semestre de 2025 quando comparamos com o mesmo período do ano passado. As vendas estão crescendo 7% e nosso NOI está com alta de 6% em relação a 2024. A taxa de ocupação também segue estável, com média de 95%.

RSC – E o que tem impulsionado as vendas? 

MR – As âncoras de vestuário têm ido muito bem e estão fazendo um trabalho de eficiência. O frio também ajudou bastante a aumentar o ticket médio. Sem dúvidas, a gastronomia tem contribuído demais, dobrou nos últimos cinco anos, atingindo quase 10% da ABL dos nossos shoppings. Acreditamos que seguirá aumentando. O que tem puxado muito também são os serviços, no qual somos fortes e seguimos fortalecendo e diversificando. Por exemplo, no Buriti Shopping, estamos com uma obra de uma clínica da Unimed de 1 mil ㎡, especializada no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela compõe a área da operação do supermercado que saiu do mix como mencionei anteriormente. 

Buriti Shopping Guará é um dos ativos da companhia no estado de São Paulo
RSC – Há algo novo em estudo com potencial para ampliar o plano de mix dos ativos? 

MR – O que temos estudado e desenvolvendo é ter algumas áreas dedicadas ao self storage em três shopping centers. É uma operação de fácil implantação que atende o consumidor, o lojista e os pequenos comerciantes da região. 

RSC – Poderia nos contar os investimentos feitos em inovação e tecnologia, pensando na fidelização dos clientes. 

Temos dois projetos de transformação digital. Um deles é o de Inteligência de dados com o objetivo de conhecer os consumidores, criar relacionamento e fazer com que eles aumentem as recorrências das visitas. É uma nova forma de olhar para o negócio. O setor sempre foi distante nesse sentido do consumidor e quem tinha esse relacionamento e proximidade eram os lojistas. Essa é uma oportunidade de nos apropriarmos também deste relacionamento. 

Em nossa base de CRM, constam dados de 1,6 milhão de clientes de 11 shoppings. Começamos essa captação em 2021 e seguimos crescendo. Hoje, temos uma área dentro da companhia que faz a gestão dos dados, com um cientista especializado. Com isso, hoje, por exemplo, a gente consegue apoiar os lojistas em suas campanhas sazonais, orientar planejamento comercial do shopping, o planejamento de mix, através dessa segmentação também. Um dos restaurantes que trouxemos para o Buriti Shopping foi com base nesses dados. Evoluímos bastante desde 2021 com esse projeto e ganhamos até o Prêmio Abrasce esse ano, contemplados com o troféu Prata na categoria Tecnologia aplicada à operação. 

O segundo projeto é o nosso programa de benefício, o qual está ativo em três shoppings atualmente, e está também integrado ao nosso CRM. Fizemos avanços importantes desde sua implantação. Atualmente, temos 70 mil clientes cadastrados na base e distribuímos 55 mil benefícios. O Tem Vantagem tem o objetivo de gerar recorrência e de trazer as pessoas para o shopping. Estamos na fase de amadurecimento, pois esse é o segundo ano do programa. Mas a ideia é que a gente possa ampliá-lo para todos os shoppings da Terral.

Terral Shopping Centers
Buriti Shopping fica localizado em Aparecida de Goiânia (GO)
RSC – Agora, gostaria de entrar em um tema em que a Terral também tem evoluído bastante de maneira muito organizada. Poderia me contar como estão os avanços na agenda ESG. 

MR – É o segundo ano que publicamos o Relatório de Sustentabilidade, disponível em nosso site, em que é possível ver todas as ações realizadas pela Terral Shopping Centers. Há informações, por exemplo, sobre a eficiência e economia de energia elétrica realizada e o que isso gera de equivalência, reduzindo o impacto dos shoppings no planeta. Só utilizamos energia de fontes renováveis, a qual é fornecida pelas usinas do grupo (Terral Energia).

Essa agenda de ESG é dividida por projetos e a cada ano tem uma nova fase com novas metas. Até outubro do ano passado, quando fechamos o relatório, atingimos uma economia de energia de 22% e apresentamos isso por meio de equivalência com comparativos em plantio de árvores, quilometragem de um carro e combustível. Em resíduos, implantamos em todos os shoppings centrais planejadas e muito arrumadas para fazer essa reciclagem e contamos com empresas parceiras para essa área. 

Em responsabilidade social, sempre selecionamos duas ONGs por ano, de cidades em que atuamos, e realizamos projetos para apoiá-las, os quais intitulamos de calendário social. Tem sempre o cunho de responsabilidade social com o pilar da educação e já apoiamos oito instituições no decorrer destes quatro anos. Outro projeto muito bacana é o Semear, em que construímos uma escola no Buriti Shopping, que atende crianças no contraturno escolar. São ações que temos bastante orgulho.

Gostamos de fazer esse trabalho voltado às comunidades locais, o que está alinhado à missão do grupo de contribuir com a sociedade, sendo agentes ativos, inspirando pessoas a evoluírem por meio dos nossos valores e da nossa cultura. Os shoppings podem proporcionar um impacto muito além dos negócios. E a gente acredita nisso. 

Escola Semear dentro do Buriti Shopping
RSC – O Grupo Terral foi certificado pelo GPTW (Great Place to Work) em todas as áreas de atuação neste ano. O que isso representa para vocês?

MR – Foi o oitavo da Terral Shopping e decidimos fazer de todas as empresas do grupo. O GPTW é uma instituição presente em mais de 30 países e traz credibilidade para esse trabalho que a gente faz, o qual a base é a cultura da empresa. Ela dá esse selo de reconhecimento de ter uma empresa humanizada. O que vale para a gente é a cultura da empresa na prática.

Terral Shopping Centers
Equipe da regional do Centro-Oeste
Equipe regional do Sudeste
RSC – Como mencionei a Terral participou e ganhou o Prêmio Abrasce 2025. Foram dois cases vencedores, “Dados que Convertem” e “Outubro Rosa – Carreta da Mulher”, ambos do Buriti Shopping. Como você analisa esse reconhecimento?

Essa iniciativa da Abrasce incentiva as boas práticas, porque todos shoppings fazem muitas ações, e esse incentivo para que participem acaba sendo uma grande vitrine para que todos vejam o que está acontecendo. O fato de ter o reconhecimento gera um engajamento enorme nas equipes. 

Terral Shopping Centers
Equipe do Buriti Shopping recebe troféu prata com o case Dados que Convertem
RSC – Os superintendentes da Terral também estiveram presentes no Enasuper. Qual sua avaliação sobre os eventos promovidos pela associação?

MR – Os eventos da Abrasce são oportunidades que geram debates importantes,  conhecimentos relevantes e momentos de networking e de muita troca. Então, a gente faz questão de participar de todos e de estar sempre presente com o nosso time.

RSC – Agora, gostaria de te ouvir sobre como avalia o papel da entidade na defesa do setor. 

A Abrasce tem uma atuação incrível e o grande destaque deste último ciclo tem sido a Reforma Tributária. A redução do impacto para o setor é algo muito valioso. Atuamos também no segmento de incorporação imobiliária, o qual não teve o mesmo resultado do setor de shopping centers, o impacto de tributação foi maior. A atuação da Abrasce gerará um impacto profundamente positivo a longo prazo. 

RSC – Para finalizar, gostaria de saber como está a expectativa para os próximos meses de 2025. 

MR – Estamos sempre otimistas de forma responsável, entendendo tudo o que está acontecendo, seja no âmbito político, econômico e social dentro e de fora do Brasil, porque tudo está interligado. Acreditamos ter um segundo semestre com resultados muito parecidos com o primeiro, com um crescimento real de vendas de 2% a 3%, então, mais ou menos entre 7 e 8% de crescimento nominal.

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