JAN/FEV 2026 - Edição 263 Ano 39 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Gestão e precisão marcam a história da Lumine

9 de fevereiro de 2026 | por Solange Bassaneze / Fotos: Divulgação
Co-CEO Cláudio Sallum compartilha a atuação da empresa e antecipa seus próximos passos
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Cláudio Sallum, Co-CEO da Lumine 

Com duas décadas no mercado, a Lumine construiu uma trajetória pautada na proximidade com os empreendedores e em soluções personalizadas para cada empreendimento.

Nesse período, já prestou serviços a mais de 200 clientes e participou do planejamento, implantação e administração de 45 shoppings. Atualmente, tem um portfólio de dez ativos distribuídos por diferentes regiões do país. Como uma empresa full service, conta com uma equipe multidisciplinar altamente experiente e qualificada.

À frente da companhia ao lado do irmão Marcelo Sallum, o Co-CEO Cláudio Sallum comenta sobre os desafios enfrentados, a evolução do mix, os investimentos realizados em expansão, além da atuação em M&A, apoiando empreendedores na venda e na aquisição de ativos, e dos greenfields que estão por vir em áreas estratégicas do país. 

Revista Shopping Centers – O que destacaria da história de 20 anos da Lumine?

Cláudio Sallum – Desde o início dessa trajetória, temos a satisfação de ter atendido com bastante sucesso mais de duzentos clientes, nos diferentes setores do desenvolvimento imobiliário. Participamos do planejamento, implantação e/ou administração de 45 shopping centers e temos a convicção que os resultados do nosso trabalho têm sido sempre entregues com qualidade, pontualidade e precisão.

RSC –  Ao longo deste tempo, quais momentos se mostraram mais desafiadores para a companhia?

CS – Como organismo vivo e dinâmico, o shopping center está sempre sujeito às mudanças do ambiente onde está instalado, alterando as condições previamente estabelecidas. Nesses 20 anos, enfrentamos diversos desafios em diferentes mercados, mas, efetivamente, nada se compara ao período de pandemia, quando todos os nossos shoppings sofreram, simultaneamente, uma violenta ruptura em seu funcionamento. Enfrentamos também as enchentes do Sul, com enorme impacto aos nossos colaboradores, lojistas, clientes e nos próprios ativos. Ao mesmo tempo, os processos implementados para a superação destes eventos serviram como aprendizado e aperfeiçoamento dos métodos de trabalho de toda a equipe.

RSC – Como a experiência anterior em grandes companhias, tanto a sua quanto a do seu irmão, Marcelo Sallum, influenciou o modelo de negócio adotado pela Lumine?

CS –  Nossas formações acadêmicas são bastante complementares. O Marcelo, advogado pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduado em Direito Empresarial, com especialização em Real Estate pelo Johns Hopkins e MBA Finanças também pela USP, preenche muito profundamente as demandas inerentes às áreas legal e de controladoria. Minha formação, como engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com MBA, também pela mesma universidade, permite uma análise pragmática, objetiva e fundamentada em lógica cartesiana. Em termos profissionais, ambos passamos um longo período pela Multiplan, uma escola que dispensa apresentações, tendo ocupado posições executivas nos shoppings da companhia e também na corporação. No mercado de shopping centers, estamos envolvidos há mais de 40 anos.

RSC -Atualmente, a companhia conta com quantos shoppings no portfólio? O que representa a entrada mais recente do Shopping Cerrado? 

CS –  A Lumine sempre privilegiou a qualidade do atendimento e não a quantidade de shoppings atendidos. Preferimos estar bastante próximos de nossos clientes, entendendo suas expectativas e necessidades e coordenando de perto as nossas equipes para atingir os resultados esperados. Também privilegiamos a busca de clientes cuja visão estratégica esteja alinhada com a nossa, com melhor aderência de objetivos. Nossa carteira possui hoje dez empreendimentos, nas diversas regiões do país, onde temos conseguido implantar nossa metodologia de trabalho, com resultados bastante expressivos. O recente convite para atendermos o Shopping Cerrado muito nos honrou, por entendermos que o grupo empreendedor possui essencialmente uma visão estratégica de longo prazo, com fundamentos sólidos. Estamos bastante entusiasmados com os primeiros resultados do trabalho em Goiânia (GO).

RSC – Para 2026, existem negociações em andamento para fortalecer ainda mais o portfólio? A companhia também avalia investimentos em greenfields?
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Inaugurado em 2016, o Shopping Cerrado conta com 110 lojas e oferece uma ampla variedade de serviços e opções gastronômicas

CS –  Na área de planejamento e consultoria, estamos envolvidos no desenvolvimento de um novo empreendimento, o Viva Shopping, na região metropolitana de Natal (RN). As obras estão bastante avançadas e a comercialização de âncoras já concluída, com muito sucesso. Temos a absoluta convicção de tratar-se de mais um case de sucesso, do qual teremos muitos motivos para nos orgulhar.

Ainda, estamos começando os estudos para um novo projeto na região Centro-Oeste, em uma das principais cidades do agro brasileiro. Na área de M&A, onde temos tido uma atuação relevante nos últimos anos, apoiando empreendedores na venda de seus ativos, concluímos em dezembro um mandado para a venda de uma relevante participação na região Norte e estamos já contratados para mais dois trabalhos, neste início de ano.

RSC – Quais foram os últimos investimentos realizados em expansão ou revitalização nos ativos sob gestão da Lumine? Há projetos previstos com esse foco para 2026?

CS –  Praticamente, em todos os shoppings, algum movimento de revitalização ou expansão tem ocorrido, de forma a contemplar o atendimento de novas demandas. Vale destacar, como exemplo de sucesso, a inauguração no final de 2024 da expansão do Shopping Villa Romana, em Florianópolis (SC), nosso cliente desde 2019. Em uma área anteriormente ocupada por garagens, a expansão trouxe 33 novas marcas extremamente relevantes, 100 % abertas na inauguração do espaço, com absoluto sucesso para o fortalecimento do empreendimento no mercado. Tivemos também a expansão do Maxi Shopping Jundiaí no final de 2025.

RSC – Como o mix dos ativos tem acompanhado a mudança de comportamento do consumidor? Quais segmentos do varejo têm se destacado nos últimos anos? Como se dá esse olhar da Lumine, considerando a particularidade de cada empreendimento?

CS –  Nesses anos de atuação no setor, nada foi mais permanente do que a mudança. Os ativos que se fizeram relevantes foram os que entenderam e anteciparam os novos comportamentos e necessidades dos consumidores e se anteciparam para proporcionar o atendimento a essas novas demandas. Mais recentemente, temos observado uma maior procura por uma experiência mais imersiva, com maior interação do consumidor com o shopping. Nessa vertente, temos nos dedicado a atender melhor às demandas com gastronomia, entretenimento e serviços, mas, sem perder de vista a qualificação do varejo tradicional, ainda é absolutamente relevante para o negócio. Evidentemente, a curadoria é desenvolvida pela nossa equipe de maneira individual, avaliando para cada mercado o perfil do consumidor, a oferta já existente no empreendimento, a concorrência instalada e, principalmente, o alinhamento com as expectativas do empreendedor.

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Com mais de 30 mil ㎡ de ABL, o Plaza Shopping Itu, situado no interior de São Paulo, tem cerca de 150 operações e recebe visitantes de outras cidades do entorno 
RSC – Levando em conta o ecossistema de todos os ativos sob gestão, qual é o número total de operações em funcionamento?

CS –  Hoje, nos shoppings onde atuamos, estamos envolvidos com mais de 2.500 lojas e quiosques, representando não menos do que 15 mil profissionais empregados diretamente. Um desafio bastante grande que nos motiva sempre a buscar o melhor resultado para o desenvolvimento de todos. 

RSC – Como avalia o ano de 2025 em relação às vendas, taxa de ocupação e fluxo de visitantes? E qual é a expectativa para 2026?

CS –  Evidentemente os mercados apresentam diferenças importantes em termos de crescimento e da própria capacidade do empreendimento de absorver as demandas. De uma forma geral, o ano de 2025 foi bom, mas não espetacular, em termos de vendas. Praticamente todos os nossos shoppings apresentaram crescimento nominal de vendas de dois dígitos, superando com certa margem a inflação no período. Em termos de tráfego de clientes, os números têm sido ligeiramente mais tímidos, com crescimentos mais baixos, mas sempre no campo positivo. Com relação às taxas de ocupação, estamos um pouco acima do mercado em geral, com patamares próximos a 96% de ocupação, dentro da média dos shoppings. Em 2025, assinamos 225 contratos de locação e nossa meta para 2026 é superar esse montante. Esperamos encerrar o ano com uma taxa de ocupação média acima dos 97%.

RSC – A Lumine gera quantos empregos diretos e indiretos? Quais são os principais diferenciais da equipe da Lumine na administração de ativos?

CS –  Contamos com uma equipe própria de aproximadamente 40 profissionais, grande parte deles com vasta experiência no setor. Considerando as equipes baseadas nos shoppings, estamos perto de 1.500 colaboradores, recrutados a partir de um criterioso processo seletivo, permanentemente treinados para o correto atendimento de lojistas e consumidores. Nossa atuação é sempre muito próxima aos empreendimentos, em permanente contato entre o time corporativo e as equipes locais, em um modelo matricial com definição clara de atribuições, responsabilidades e meritocracia. Nós, sócios, estamos bastante próximos das equipes dos shoppings, buscando sempre traduzir para o time quais os anseios dos empreendedores e a hierarquia das prioridades.

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O Cantareira Norte Shopping possui um sistema hídrico autossuficiente, que economiza 3 milhões de litros de água por mês e, recentemente, recebeu investimento para ter uma usina de geração de energia fotovoltaica com capacidade de geração de 1.000 KWp
RSC – Em relação à agenda ESG, quais foram os principais avanços nas métricas e como isso se alinha à gestão de riscos? Existe alguma iniciativa que gostaria de destacar?

CS – Em todos os nossos shoppings temos tido uma grande preocupação com os conceitos ESG, seja na busca por um consumo mais eficiente de recursos naturais ou mesmo por um envolvimento com as parcelas mais carentes da comunidade onde estamos inseridos. No aspecto ambiental, vale destacar o projeto do Cantareira Norte Shopping que, desde sua origem, a edificação foi concebida no conceito “zero water”, onde 100% dos efluentes são tratados e o ativo se utiliza, além do reuso dessa fonte, de poços artesianos e coleta de água de chuva, sendo completamente independente do sistema urbano de fornecimento. Recentemente implementamos neste mesmo shopping uma planta de produção de energia solar que, além do benefício ambiental, representa economia para o empreendimento.

RSC – Como avalia o fato da Abrasce ter elaborado o Manifesto dos Shopping Centers da América Latina pela Agenda Climática, lançado durante a COP30?

CS –  A Abrasce vem tendo um papel fundamental na organização de nossa indústria, buscando sempre posicioná-la de forma coerente com o momento em que estamos inseridos. Sua atuação durante a COP é apenas mais um dos exemplos de atuação oportuna, no ensejo de um dos mais importantes eventos mundiais.

RSC – Em 2026, a Abrasce completa 50 anos de atuação e o setor de shopping centers celebra 60 anos no Brasil. Que mensagem deixaria sobre este momento histórico?

CS – Entre as principais características de nossa indústria, julgo importante destacar a relação de parceria ética entre os diferentes players. Mesmo em um mercado fortemente competitivo, sempre prevaleceu o conceito de competição honesta, justa e equilibrada. Esse setor, graças a esse espírito colaborativo, tem se mostrado absolutamente resiliente, representando um verdadeiro exemplo para os diversos segmentos empresariais brasileiros. Nesse contexto, é desnecessário enfatizar a relevância da Associação, como verdadeiro amálgama dessa coesão e direcionadora principal dos esforços conjuntos de nossa indústria. Parabenizo à Abrasce pelos seus 50 anos e, em seu nome, parabenizo a todos os seus membros pelo sucesso no enfrentamento dos enormes desafios pelos quais temos passado ao longo desses anos.

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