Liderar é construir pertencimento
Cresci acompanhando conversas sobre negócios, desenvolvimento e futuro. Ainda adolescente, participava de eventos da Abrasce ao lado do meu pai e observava algo que, naquela época, talvez, eu ainda não soubesse nomear: a força das conexões. Em um setor como o de shopping centers, projetos sempre foram resultado de diálogo e visão coletiva.
Essa percepção também acompanha a história da minha família. Meu avô, Lourival Louza, esteve envolvido na criação de entidades e iniciativas que impulsionaram o desenvolvimento do agronegócio em Goiás. Meu pai deu continuidade a esse legado, acreditando no associativismo como instrumento de crescimento sustentável. Aprendi cedo que liderar não significa caminhar à frente sozinho. Liderar é criar ambientes em que diferentes vozes tenham espaço e onde boas ideias possam prosperar.
Ao longo da minha trajetória no Flamboyant, hoje composto pelas unidades de negócio Flamboyant Shopping, Flamboyant Urbanismo, Flamboyant Instituto e Flamboyant Agropecuária, tive a oportunidade de acompanhar transformações profundas no comportamento do consumidor, no varejo e nas cidades. Esse percurso reforçou em mim a convicção de que empreendimentos bem-sucedidos são aqueles que conseguem compreender a identidade do lugar onde estão inseridos.

Durante muito tempo, acreditou-se que os modelos de sucesso estavam concentrados em poucos centros urbanos e que bastava replicá-los. A experiência mostrou algo diferente. O crescimento do setor no Centro-Oeste, assim como em outras regiões do país, demonstrou que inovação exige escuta e capacidade de tradução.
Inspirar-se em referências nacionais e internacionais continua sendo fundamental, mas construir projetos relevantes depende de entender a cultura local, os hábitos das pessoas e a relação afetiva que cada cidade estabelece com seus espaços.
Por isso, talvez enxergo os shopping centers de hoje de maneira muito diferente daquele modelo que predominava décadas atrás. O varejo continua sendo parte central dessa engrenagem, mas os empreendimentos passaram a ocupar um papel mais amplo na dinâmica urbana. Tornaram-se espaços de encontro, convivência, cultura, lazer e experiências compartilhadas. Em muitas cidades brasileiras, representam um dos principais pontos de vida social.
Essa transformação também alterou a maneira como precisamos pensar liderança. Vivemos uma fase marcada por mudanças rápidas, avanço tecnológico e novos modelos de consumo. O ambiente phygital, a inteligência artificial, a digitalização das jornadas e as discussões sobre ESG exigem preparo constante. Porém, em meio a tantas ferramentas e tendências, sigo acreditando que o diferencial continuará sendo humano.
Tenho acompanhado as principais semanas de moda internacionais, buscado contato com lideranças globais e observado movimentos em áreas como wellness, comportamento, tecnologia e empreendedorismo. Não faço isso porque acredito em fórmulas prontas. Faço por entender que o futuro exige curiosidade permanente e disposição para aprender.
E, talvez, esse seja um olhar muito presente na liderança feminina. Ao longo dos anos, vi mulheres ocuparem espaços cada vez mais estratégicos no setor, trazendo perspectivas complementares, sensibilidade para gestão de pessoas e uma atenção especial à construção de ambientes mais colaborativos. O conhecimento técnico abriu portas, mas a capacidade de conectar estratégia e empatia passou a ocupar um lugar decisivo.
As mulheres estão preparadas há muito tempo para liderar grandes operações, conduzir processos complexos e transformar mercados. O que vemos hoje é um movimento mais consistente de reconhecimento desse protagonismo.
Ao assumir a presidência do Conselho Deliberativo da Abrasce, carrego um sentimento de responsabilidade, mas também de continuidade. Vejo esse momento como a oportunidade de contribuir para um setor que ajudou a construir a minha trajetória e do qual acompanho a evolução desde muito cedo.
Acredito que liderar se aproxima menos de ocupar posições e mais de construir pertencimento. Empreendimentos duradouros, assim como relações duradouras, nascem quando existe conexão genuína entre pessoas, ideias e propósito.




