Ao revisitar a minha trajetória de liderança, posso afirmar que “comecei no começo”. E não é apenas uma força de expressão. Deixei o mercado imobiliário para ingressar no segmento de shopping centers em João Pessoa (PB), em junho de 2000, no MAG Shopping, um dos mais novos empreendimentos da cidade à época, com apenas seis meses de operação.
Éramos um shopping e uma gerente comercial igualmente jovens, iniciando as atividades em um mercado marcado pelo monopólio de um concorrente: o primeiro shopping da cidade, localizado na mesma região e inaugurado dez anos antes. Os desafios foram muitos e, para citar os mais relevantes, destaco: o fato de trabalhar em uma pequena equipe multifuncional, de trazer novidades que ainda não existiam na região ou até mesmo de conquistar operações já consolidadas, com a responsabilidade de construir um mix para atrair e reter um público já habituado a frequentar outro empreendimento.

Nesse contexto, entre uma captação e uma cláusula contratual, existia uma gangorra emocional, sempre que iniciávamos uma negociação, não sabíamos se íamos poder vê-la crescer conosco ou encerrar suas operações antes ou logo após o lançamento. Contudo, o que, a essa altura, eu ainda não sabia era que todos aqueles desafios haviam sido uma verdadeira preparação para o passo seguinte da minha carreira. Foi então que, no auge da minha maturidade profissional, recebi o convite para assumir a superintendência do Liv Mall, em setembro de 2023.
Na ocasião, o mercado de João Pessoa estava em expansão, com inaugurações de vários shoppings em diferentes regiões da cidade. Naquele momento, o maior desafio não era a concorrência crescente, o perfil totalmente diferente do ativo ou mesmo a nova função, mas era o de enfrentar uma realidade inédita para todos: o cenário pós-pandemia da Covid. Encontrei muito trabalho por fazer, mas, além da experiência, foi fundamental poder contar com um time para iniciar um novo ciclo numa fase tão desafiadora.
Além da formação de uma boa e comprometida equipe, a importância das pessoas para o alcance dos objetivos pessoais e coletivos também está na construção de uma sólida rede de relacionamentos, por meio da convivência, da troca de experiências, das parcerias, da participação em grupos relevantes e da presença em ocasiões importantes para a atuação profissional. Em resumo: é um movimento contínuo.
Acredito que o fato de eu ser mulher também contribuiu para desenvolver características que marcaram minha forma de liderar, como a multifuncionalidade, a adaptabilidade, a paciência e, por que não, o hábito de frequentar shoppings e de fazer compras, o que sempre me permitiu compreender esse universo também sob a perspectiva do consumidor.
Ser líder é uma missão, que deve ser cumprida com amor, zelo, dedicação e perseverança. Ela se constrói ao longo do tempo, fruto de um trabalho contínuo, e cujo verdadeiro legado não está apenas nas conquistas do passado, mas na capacidade de transformar o futuro, contribuindo, por meio dos negócios, para melhorar a vida das pessoas impactadas direta e indiretamente pelo meu trabalho como gestora.




