JUL/AGO 2026 - Edição 266 Ano 39 - VER EDIÇÃO COMPLETA
ESG

Cinco cases, um compromisso em comum: reduzir impactos ambientais

20 de agosto de 2026 | por Solange Bassaneze / Fotos: Divulgação
Da substituição de combustíveis fósseis à floresta urbana, projetos reconhecidos pelo Prêmio Abrasce evidenciam como estratégias sustentáveis podem gerar resultados concretos e duradouros

A sustentabilidade já é uma realidade estratégica na gestão dos shopping centers: orienta decisões, direciona investimentos e impulsiona a evolução dos ativos. Com metas estruturadas, indicadores de desempenho e projetos que unem inovação e gestão, o setor converte práticas em avanços efetivos. Neste ano, cinco cases conquistaram os troféus da categoria Newton Rique de Sustentabilidade – Impacto Ambiental do Prêmio Abrasce, evidenciando diferentes caminhos para transformar desafios em soluções aplicáveis. A seguir, confira mais detalhes sobre o trabalho desenvolvido em cada iniciativa.

Mudança de matriz energética por fonte 100% renovável 

O Prudenshopping (Presidente Prudente/SP) conta com o programa ECO PRUDEN desde 2023. No ano passado, deu um passo importante e desenvolveu, em parceria com Usina Cocal e a distribuidora Necta, que atuam no oeste paulista, um projeto pioneiro na América Latina: o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) foi substituído pelo biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar e esterco animal em todas as operações de alimentação. 

“Temos buscado constantemente soluções inovadoras que contribuam para uma operação mais eficiente, sustentável e alinhada às necessidades dos nossos lojistas. A iniciativa representa um avanço importante na nossa gestão operacional, pois gera benefícios diretos, com destaque para a economia de 45% na conta de gás de todos os lojistas de alimentação”, aponta Daniel Vieira, superintendente do Prudenshopping. O custo anual com combustível foi reduzido de R$ 688 mil para R$ 375 mil. 

Como o abastecimento acontece diretamente da usina localizada em Narandiba, foi desenvolvido um planejamento de infraestrutura complexo para que a rede alcançasse o shopping. Cada restaurante passou ainda por uma adaptação técnica, seguindo padrões rigorosos. 

Os ganhos ambientais também são expressivos. “A substituição do combustível fóssil proporcionou a compensação de 184 toneladas de dióxido de carbono por ano, volume equivalente à retirada de 132 veículos das ruas, ao plantio de 1.108 árvores ou à preservação de um hectare de área de reflorestamento”, ressalta. O projeto ainda reduziu praticamente a zero as emissões de Óxido de Enxofre, diminui entre 30% e 40% as emissões de Óxido de Nitrogênio e em mais de 90% a emissão de material particulado, melhorando a qualidade do ar.

Outro benefício é o aumento da segurança operacional. Com a eliminação do transporte e armazenamento de cilindros de GLP, o shopping reduziu riscos de acidentes e proporcionou ambientes de trabalho mais seguros para colaboradores e lojistas. 

Essa iniciativa estabelece um novo modelo para o setor ao demonstrar que é possível conciliar inovação, desenvolvimento regional, eficiência econômica e descarbonização. “Para nós, mostra que é possível pensar além da operação tradicional de um shopping center, criando soluções que geram valor para o negócio, para os nossos parceiros comerciais, para o meio ambiente e para a comunidade”, aponta Vieira.

Certificação inédita

A busca pelo aprimoramento contínuo dos padrões operacionais e socioambientais levou o Flamboyant Shopping a revisar seus processos com base nos critérios da certificação LEED. A iniciativa resultou na conquista do LEED Gold O+M: Interiores, sendo o primeiro shopping center do Brasil certificado nessa categoria. 

Segundo a superintendente do ativo, Jucilene Oliveira, a sustentabilidade sempre esteve presente na operação e essa foi a oportunidade de validar esse trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos. “Mais do que buscar um selo, o objetivo foi analisar nossos processos de forma ainda mais criteriosa, identificar oportunidades de evolução e consolidar uma cultura de melhoria contínua. O principal desafio foi reunir, documentar e integrar uma série de procedimentos que já eram executados, o que exigiu envolvimento de diversas áreas e um olhar muito atento para cada etapa.”

Foi possível ainda aprimorar iniciativas e ampliar a análise de indicadores ambientais, o que resultou em melhorias significativas em gestão hídrica, eficiência energética, gerenciamento de resíduos e adoção de processos operacionais cada vez mais sustentáveis. “Hoje, contamos com iniciativas estruturadas como a Central de Resíduos Sólidos, o programa de compostagem de resíduos orgânicos e a Horta Orgânica do Flamboyant, que beneficia anualmente cerca de 12.780 pessoas, entre colaboradores, restaurantes e instituições parceiras. Também avançamos na utilização de energia renovável, por meio da geração solar e da aquisição de energia certificada I-REC, além de soluções tecnológicas voltadas ao monitoramento do consumo de água e energia”, descreve Arthur Soares, gerente de Operações do Flamboyant Shopping. Fora isso, fortaleceram iniciativas de conscientização e educação ambiental entre colaboradores, parceiros e lojistas.

Mais do que uma conquista institucional, a certificação fortalece o posicionamento do Flamboyant Shopping como referência em gestão sustentável e excelência operacional. “Reforça ainda que sustentabilidade não deve ser encarada como um projeto isolado, mas como um compromisso permanente que orienta as decisões e a forma como o empreendimento opera”, diz Jucilene. Esse é mais um exemplo concreto que serve de inspiração para outras empresas do setor. “Entendemos que compartilhar essa experiência também faz parte do nosso papel, contribuindo para que cada vez mais empreendimentos avancem em práticas alinhadas aos desafios ambientais e às demandas do futuro”, enaltece a superintendente.

Nove iniciativas potentes

A sustentabilidade como estratégia de negócio na Cidade Center Norte acontece por meio do ecossistema Norte Verde, que reúne nove iniciativas sustentadas por gestão unificada, infraestrutura própria e governança orientada pela melhoria contínua. “Ao promover a integração entre inovação, gestão ambiental e desenvolvimento social, construímos uma atuação capaz de fortalecer a operação, ampliar impactos positivos e contribuir para o desenvolvimento do nosso entorno por meio do Instituto Center Norte”, afirma Dani Pavan, diretora executiva de Sustentabilidade da Cidade Center Norte.

As iniciativas são: a Horta Social da Cidade Center Norte, o Projeto Resíduo Zero, a Central de Gerenciamento de Resíduos e a certificação ISO 41001, voltada à gestão de facilities, a frota 100% elétrica para prestação de serviços de Segurança e Limpeza, o Programa de Conscientização Ambiental com Lojistas, a EPAR (Estação de Produção de Água de Reúso, o uso de energia limpa e a estratégia de Carbono Neutro.

Os resultados demonstram o alcance delas. Por exemplo, foram mais de 13 mil pessoas impactadas com os alimentos da Horta Social, enquanto o Projeto Resíduo Zero possibilitou o reaproveitamento de mais de 5,8 mil toneladas de resíduos. Para Dani, é possível gerar mais impacto quando essa frente está inserida na estratégia. “O Norte Verde nasceu com o propósito de operacionalizar iniciativas, pessoas e parceiros em torno de uma agenda comum de valor compartilhado. Seu principal legado é mostrar que shopping centers podem ser agentes de transformação, ao gerar valor para o negócio, para a sociedade e para as futuras gerações.”

Mais do que reunir boas práticas, o projeto consolida um modelo estruturado que traduz o DNA da companhia em empreendedorismo, pioneirismo e compromisso com a transformação social da Zona Norte de São Paulo.

De um aterro industrial a um corredor ecológico 

O Projeto Floresta Urbana, do RioMar Recife, tornou-se uma referência brasileira na COP30, em 2025. A iniciativa ganhou projeção internacional após a divulgação de um inventário florestal, realizado em 2024 para mensurar os impactos da regeneração ambiental do território onde o ativo está inserido, que se iniciou durante a construção do empreendimento. 

O projeto transformou um antigo aterro industrial em um corredor ecológico de 2,53 hectares — equivalente a quase três campos de futebol. Com o estudo, foi possível constatar a evolução das 686 mudas de 64 espécies nativas da Mata Atlântica desta área, a qual está integrada ao manguezal e contribui para a recuperação ambiental de uma das cidades mais vulneráveis às mudanças climáticas.

A preocupação com a sustentabilidade sempre norteia a cultura da companhia e orienta desde a concepção dos empreendimentos até as decisões de operação e modernização. “Todo planejamento é pensado para que as construções, melhorias e retrofits durem por muitos anos e tenham impactos positivos nas comunidades e alcancem os melhores resultados a cada ano”, afirmaThayara Paschoal, gerente de Sustentabilidade do Grupo JCPM.

Essa revitalização dessa área trouxe muitos desafios. “Fomos buscar especialistas e os melhores parceiros para encontrar as alternativas mais adequadas desde a preparação do solo até a escolha das espécies, o espaçamento entre elas, a época de plantio, regas e o acompanhamento do desenvolvimento das espécies.” Fora isso, itens de demolição dos antigos galpões industriais foram aproveitados na obra do empreendimento, reduzindo a circulação de caminhões e os impactos sobre a vizinhança.

A decisão de fazer o inventário da floresta urbana trouxe resultados concretos, podendo mensurar o quanto o adensamento da área trouxe ganhos ambientais. Para isso, foi preciso levantar a quantidade de árvores, medindo a altura e a circunferência de cada uma, entendendo o desenvolvimento individual das espécies e equilíbrio entre elas. Pouquíssimas árvores não nativas já estavam no terreno e foram preservadas. “A natureza não se soma, ela se multiplica. Com o tempo, o manguezal conseguiu se restabelecer, então, há  uma vegetação de transição. Sabíamos que tinha um impacto ambiental grande, mas sentimos a necessidade de medir, justamente para poder demonstrar o quanto esse tipo de iniciativa transforma.” 

E mais surpreendente foi constatar que esse laboratório vivo é capaz de capturar 26,8 toneladas de carbono por ano e tem capacidade de promover regulação térmica, reduzindo a sensação de calor no entorno. “Quem entra na floresta percebe imediatamente uma temperatura mais amena. Além disso, conseguimos fechar um corredor ecológico que permite o deslocamento da fauna entre o manguezal e a área preservada, fortalecendo a biodiversidade.”

Embora essa área de preservação sem acesso não necessite de manutenção convencional, passa por monitoramento permanente para garantir sua conservação, incluindo ações periódicas de limpeza realizadas em parceria com o poder público e com o Instituto JCPM. 

Para Thayara, o principal legado da participação na COP30 foi demonstrar o papel decisivo do grupo JCPM na adaptação às mudanças climáticas e quanto isso traz o engajamento da sociedade civil, do agente público, dos clientes e dos lojistas. É uma iniciativa que mitiga a ação de efeitos climáticos extremos, lembrando que Recife é a 16ª cidade mais exposta no mundo aos efeitos do aquecimento global. 

“A grande mensagem é que, independentemente do segmento, é possível desenvolver projetos disruptivos de grande impacto para os territórios onde atua e colaborar neste processo de adaptação à mudança climática.” Essa visibilidade dada ao projeto demonstra ainda o quanto esse modelo é replicável, apesar de não ser simples de executar, e que sustentabilidade e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos. 

Aceleração da agenda ambiental

Quando Belém foi escolhida para sediar a COP30, a ALLOS já possuía uma trajetória consolidada em sustentabilidade e resolveu antecipar as metas ambientais públicas previstas para 2030 e 2040 nos quatro shoppings da Bacia Amazônica — Manauara Shopping, Amazonas Shopping, Parque Shopping Belém e Boulevard Shopping Belém. Além disso, aproveitou para oferecer uma programação voltada ao diálogo climático, à cultura e ao acolhimento nos dois ativos localizados na capital paraense, com exposições inéditas e ações que reuniram mais de 250 mil participantes.

Essas iniciativas envolveram colaboradores, lojistas, fornecedores e parceiros. Entre os resultados alcançados estão o uso de 100% de energia renovável, 100% de neutralidade de carbono, reúso de água em todos os ativos da região, redução do uso de água e recuperação de 90% dos resíduos gerados.

“Antecipar as metas ambientais para os nossos shoppings da Bacia Amazônica foi uma decisão estratégica que traduz a forma como a companhia enxerga a sustentabilidade, fazendo parte do negócio e da gestão dos ativos, especialmente em uma região de enorme relevância para a agenda climática global”, relembra Paula Fonseca, diretora Jurídica e coordenadora da Comissão de Sustentabilidade da ALLOS. 

Segundo ela, o principal desafio foi acelerar uma agenda que já estava em andamento, respeitando as particularidades de cada empreendimento e engajando equipes, lojistas, parceiros e fornecedores em torno de um objetivo comum. O esforço coletivo gerou impactos concretos. “Avançamos na destinação adequada de resíduos, ampliamos o uso de energia renovável e fortalecemos iniciativas de eficiência operacional, comprovando que é possível acelerar compromissos ambientais com planejamento, governança e colaboração.”

Mais do que antecipar indicadores, a iniciativa demonstra o potencial dos shopping centers como agentes de transformação para as cidades e para a agenda climática. “Esperamos que esse case contribua para inspirar outras empresas do setor a incorporar a sustentabilidade como um vetor de inovação, competitividade e geração de valor para os negócios, para as comunidades e para as cidades”, enaltece Paula.

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