JAN/FEV 2026 - Edição 263 Ano 39 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Estudo de Tendências e Oportunidades Internacional traz uma análise profunda sobre como a saúde molda o futuro e se torna um projeto coletivo

9 de fevereiro de 2026 | por Solange Bassaneze / Fotos: Freepik
O report aponta as novas demandas, oportunidades de inovação e caminhos estratégicos para marcas, negócios e a sociedade

O Estudo de Tendências e Oportunidades Internacional, realizado pela NoPonto Marcas em parceria com a Abrasce, é um material riquíssimo que deve ser explorado pelos times de shoppings de todo o Brasil. Na edição anterior, apresentamos um panorama dos quatro macrotemas que compõem o estudo – Saúde, Tecnologia, Valorização do Humano e Marketing e Comunicação. A partir desta edição, passaremos a aprofundar os subtemas de cada eixo, evidenciando seus desdobramentos e o potencial de aplicação no dia a dia dos shoppings, considerando suas diferentes realidades. 

Durante o lançamento, realizado em novembro, a fundadora da NoPonto Marcas, Cris Duarte, destacou que a saúde está no centro das transformações que moldam o futuro. Conforme mostra o relatório, o tema vai muito além da tradicional associação com doenças e se conecta a novos modos de viver, que priorizam qualidade de vida, tempo, bem-estar e conexão humana. Esse movimento já se reflete em tendências como: saúde social (já tratada em reportagem da edição 262); longevidade/menopausa, saúde mental e health techs, que serão sintetizadas a seguir, como um convite para uma leitura mais cuidadosa do estudo. O conteúdo completo pode ser baixado pelos associados na área restrita do site da Abrasce.

Longevidade e menopausa

Estudo de Tendências e Oportunidades Internacional revista shopping centers abrasce
(Foto: Freepik)

 A longevidade vem sendo cada vez mais reconhecida como um fenômeno de transformação cultural e social que reposiciona o envelhecimento como um período de vitalidade, participação ativa e relevância econômica. Em diferentes países, inclusive no Brasil, esse novo olhar impulsiona ações voltadas a um estilo de vida saudável, ao protagonismo da população 60+ e à adaptação de produtos, serviços e ambientes para uma convivência mais integrada entre gerações. Como aponta o estudo, o tema convida empresas, governos e a sociedade a repensar modelos de trabalho, consumo, saúde e pertencimento — com mais propósito e conexão humana.

As projeções demográficas reforçam esse cenário. A população acima de 60 anos pode ultrapassar 2 bilhões de pessoas até 2050, enquanto o grupo acima de 80 anos pode chegar a 426 milhões. Esse cenário também revela um forte valor econômico: o público 60+ tende a ampliar significativamente seu poder de consumo e sua contribuição para o PIB global, especialmente à medida que permanece ativo no mercado de trabalho por mais tempo. Estudos recentes apontam ainda que a combinação entre tecnologia, criatividade e humanidade será central nos próximos anos, impulsionando tendências como cuidados de saúde domiciliares, espaços híbridos de bem-estar e experiências inspiradas em práticas de longevidade, que unem ciência, hospitalidade e qualidade de vida.

Segundo um estudo da Global Initiative on Ageing and Longevity, a oportunidade econômica ligada à população 60+ pode movimentar até US$ 96 trilhões em 2050, considerando seu poder de compra e consumo. Existe ainda um potencial inexplorado de US$ 10 trilhões de crescimento no PIB global até 2030, decorrente da participação de pessoas com idade superior a 60 anos no mercado de trabalho.

As frentes associadas à longevidade envolvem tanto o desejo de retardar o envelhecimento quanto os avanços da medicina preventiva. Casos como o de Bryan Johnson, fundador e CEO da Blueprint, de 47 anos, que investe milhões em protocolos médicos e tecnológicos com o objetivo de reduzir sua idade biológica, evidenciam o interesse crescente em prolongar a juventude física e metabólica por meio de intervenções intensivas, levantando o debate entre aparência e saúde de longo prazo. Paralelamente, pesquisas médicas indicam que o envelhecimento pode ser retardado, parado ou até revertido em alguns casos, como apontam os estudos do médico e pesquisador Nir Barzilai com pessoas centenárias. 

A menopausa também passou a ocupar um espaço central nas discussões sobre saúde, bem-estar e consumo. Essa fase coincide com o auge profissional de muitas mulheres, que hoje contam com mais informação, autonomia financeira e tempo para investir em si mesmas. Diferentemente do passado, quando o tema era silenciado, a ciência e a sociedade passaram a reconhecer necessidades físicas, emocionais e sociais específicas desse período. Esse movimento acompanha uma mudança cultural importante: a transição do discurso do anti-aging para o pro-aging, que valoriza o envelhecer com qualidade, prevenção e produtos adequados. 

O relatório traz dados que reforçam a relevância desse cenário. Segundo a ONU, o número de mulheres acima de 50 anos deve saltar de 985 milhões em 2020 para 1,65 bilhão em 2050, ampliando a demanda por soluções que integrem saúde, autonomia e pertencimento social.

O setor privado também começa a assumir um papel mais ativo nesse contexto. O Centro de Pesquisa da Mulher, criado pelo Grupo Boticário em parceria com o Hospital Albert Einstein, exemplifica como marcas podem gerar impacto social ao investigar e atender às necessidades femininas em diferentes fases da vida. Em paralelo, surgem inovações em moradia, varejo e serviços, incluindo shoppings com estruturas e programações voltadas a esse público, como o Aeon Mall, no Japão, e no Westfield London, no Reino Unido; além do uso de tecnologia para promover segurança e autonomia. Esses movimentos reforçam que compreender a longevidade como uma transformação profunda da sociedade abre oportunidades não apenas de negócios, mas de construção de legado, inclusão e novos significados para o envelhecer.

​​Para os shoppings, há oportunidades claras na ampliação do mix de serviços de saúde preventiva, bem-estar, cultura e educação, na criação de programações recorrentes e na adaptação dos espaços físicos para promover permanência prolongada e qualidade de experiência. Ao integrar novas iniciativas direcionadas a esse público e capacitar os colaboradores para esse atendimento, os shoppings reforçam seu papel como agentes ativos da vida urbana e da saúde social das comunidades.

Saúde Mental 

(Foto: Freepik)

A saúde mental ocupa hoje o centro de discussões sobre qualidade de vida, produtividade e o futuro das relações humanas em um contexto marcado pela aceleração e pela hiperconectividade, atravessando todas as gerações. Nesse cenário, o cuidado emocional deixa de ser uma necessidade individual e passa a configurar um movimento coletivo de reequilíbrio, refletido na crescente busca por espaços de escuta, desaceleração, conexão genuína e autocuidado. 

Os dados reforçam a urgência do tema. Estima-se que cerca de 970 milhões de pessoas no mundo convivam com transtornos mentais, sendo a depressão apontada como a principal causa de adoecimento até 2030. No Brasil, uma em cada cinco pessoas enfrenta algum transtorno mental, e o país lidera o ranking global de ansiedade. Estudos indicam que, mais do que o tempo de uso, a forma como as pessoas se relacionam com o ambiente digital influencia diretamente o bem-estar psicológico, impulsionando uma busca crescente por experiências presenciais e vínculos reais.

Nesse contexto, ganha força a visão de que saúde mental é, acima de tudo, uma questão de pertencimento e comunidade. Iniciativas públicas como os Ministérios da Solidão no Reino Unido e no Japão, a comissão da ONU para conexão social e conceitos como social prescription, Brand Belonging e work resorts apontam para um futuro mais preventivo, integrado e humano. 

Marcas e espaços que souberem ler os sentimentos e tensões invisíveis que moldam comportamentos terão a oportunidade de criar conexões autênticas e se tornar agentes reais de bem-estar e transformação social. O Brand Belonging, por exemplo, representa essa mudança de transações para conexões significativas e aponta como marcas que constroem espaços de pertencimento ganham relevância cultural, fidelidade afetiva e engajamento duradouro.  

Em diferentes setores, marcas já assumem um papel ativo no cuidado com a saúde mental ao integrar práticas de bem-estar às rotinas cotidianas de forma acessível e culturalmente relevante. No relatório, é possível ver como o Spotify e ASICS, por exemplo, incentivam pausas conscientes, e campanhas de marcas como Maybelline e McDonald’s voltadas à redução do estigma e à promoção de conversas abertas sobre ansiedade, depressão e emoções.

Outras iniciativas reforçam o valor do silêncio, do contato com a natureza e do cuidado estrutural como estratégias de saúde mental. Acessando o estudo, você poderá ver todos esses movimentos em detalhes e as oportunidades apontadas para o setor de shopping centers, que, diante do contexto de solidão crescente e alta prevalência de ansiedade e depressão, podem ampliar seu papel para além da lógica transacional e se consolidar como espaços de apoio social.

Healthtechs

(Foto: Freepik)

Surgem como um dos subtemas centrais deste estudo por representarem uma transformação estrutural na forma como a saúde é pensada, acessada e vivenciada. Essas empresas de base tecnológica estão transformando o setor de saúde ao integrar ciência, dados e tecnologia para tornar o cuidado mais preventivo, personalizado, acessível e eficiente. Impulsionadas por fatores como o envelhecimento da população, a pressão sobre os sistemas de saúde e mudanças no comportamento do consumidor, as soluções vão além da digitalização e abrangem telemedicina, inteligência artificial, dispositivos vestíveis, análise de dados, interoperabilidade de sistemas e medicina personalizada. 

Seu impacto se reflete na ampliação do acesso, na redução de custos, aceleração de diagnósticos e tratamentos e no ganho de eficiência para clínicas, hospitais e operadoras de saúde.  Mais do que uma tendência de mercado,  trata-se de uma transformação irreversível, que torna estratégico acompanhar e se integrar a esse ecossistema para manter a relevância e a competitividade. Nesse contexto, tecnologia e saúde passam a atuar de forma indissociável na construção de sistemas mais funcionais e centrados nas pessoas, apoiados também pela ciência do comportamento, que contribui para compreender escolhas individuais e estimular hábitos mais saudáveis.

Associados a esse avanço, movimentos como o biohacking ganham espaço ao integrar tecnologia e biologia para otimizar desempenho, saúde e longevidade, enquanto a epigenética reforça o papel dos hábitos de vida e do ambiente na expressão dos genes, ampliando as possibilidades de personalização, prevenção e promoção do bem-estar.

Segundo o Global Market Insights de 2023, as healthtechs têm um valor estimado de US$ 504 bilhões.  No Brasil, a demanda por soluções ágeis e de baixo custo impulsiona a expansão do segmento, que já reúne 1.300 startups em operação e segue em evolução constante, especialmente com o avanço da inteligência artificial (IA) e do machine learning. 

Iniciativas como as do Hospital Albert Einstein, da telerradiologia no SUS e de programas em cidades como Araripe e Tarumã comprovam ganhos expressivos em escala, agilidade diagnóstica e redução de óbitos. Paralelamente, soluções focadas em prevenção e monitoramento contínuo da saúde, como a Neko Health e o KAI Prevention Center, apontam para uma mudança estrutural do modelo assistencial, que deixa de ser reativo e passa a construir históricos de saúde ao longo do tempo, apoiado por IA, dados integrados e experiência digital centrada no indivíduo.

Esse novo paradigma  abre oportunidades estratégicas para os shopping centers se posicionarem como hubs urbanos de saúde, bem-estar e longevidade. A capilaridade, a proximidade com o consumidor e o papel de convivência os tornam ambientes ideais para integrar clínicas, centros diagnósticos, healthtechs e experiências de prevenção. Exemplos como o ALMA, do Sírio-Libanês, e centros médicos instalados em shoppings  reforçam o potencial de reinvenção desses espaços, que passam a gerar valor social, diversificar receitas e atrair novos públicos ao oferecer serviços essenciais integrados à rotina cotidiana. Veja tudo na íntegra no estudo que aponta todos esses cases detalhadamente e levará muitos insights para todo o time do seu shopping.

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