Uma trajetória de meio século ajuda a explicar as escolhas de hoje e os novos caminhos da companhia
Há marcas que atravessam décadas e, há aquelas que, ao fazer isso, passam a fazer parte da vida das pessoas. Completar 50 anos no varejo brasileiro significa mais do que celebrar a longevidade: é reconhecer os vínculos construídos com diferentes gerações ao longo de uma história feita de mudanças, escolhas e evolução no jeito de consumir. A C&A chega a esse aniversário com o pioneirismo como parte de sua identidade.
Iniciou sua história no Brasil trazendo o modelo de autosserviço à moda e dando aos consumidores a liberdade de escolher as próprias roupas sem a intermediação de um vendedor. “Completar meio século de atuação no Brasil é motivo de profundo orgulho para todos nós”, afirma João Souza, VP Comercial da C&A.

Em todo esse tempo, a rede manteve o cliente no centro da estratégia, lançou um dos primeiros cartões de crédito do varejo nos anos 1980 e foi precursora em pesquisa internacional de tendências, na padronização de medidas e na entrada antecipada no comércio eletrônico. “Também fomos pioneiros em diversidade ao destacar o Sebastian no centro da nossa comunicação publicitária na década de 1990, o primeiro homem negro na publicidade no Brasil”, relembra Souza.
Mais do que iniciativas pontuais, esses movimentos refletem a capacidade de manter uma escuta ativa e próxima do cliente. A conexão duradoura com sucessivas gerações foi construída dia a dia, loja a loja, em cada região do país. Atualmente, esse mesmo compromisso se reflete na estratégia de hiperpersonalização adotado no ecossistema digital e nas lojas físicas.
“Entendemos que a relevância de uma marca precisa ser conquistada continuamente, e é justamente esse repertório centrado no consumidor, impulsionado por inteligência de dados e respeito pela cultura local, que nos permite celebrar essa data com extrema força e entusiasmo para os próximos ciclos.”

Em 6 de agosto de 1976, o Ibirapuera Shopping abriu suas portas. Vinte dias depois, foi a vez da C&A inaugurar sua primeira loja no país, no empreendimento. “Esse início estabeleceu uma parceria histórica com os shopping centers, que hoje abrigam a grande maioria das mais de 340 lojas, espalhadas por 172 cidades. Recebemos cerca de um milhão de clientes diariamente, e os shoppings oferecem um ambiente seguro, conveniente e confortável. A loja física é onde a moda ganha vida por meio do toque nos tecidos, da experiência nos provadores e da construção de um vínculo emocional direto com a marca.” Mais de 87% das operações da companhia estão nesses ativos.
Fora isso, passaram a desempenhar um espaço estratégico de logística e tecnologia. “Dentro da nossa visão phygital, funcionam como centro de distribuição urbano e ponto de apoio para o e-commerce. É onde o cliente retira produtos comprados pelo aplicativo, efetua trocas de forma ágil e interage com os serviços do C&A Pay. Essa sinergia entre o fluxo dos shopping centers e a conveniência digital fortalece o desempenho das vendas e reafirma esses empreendimentos como ativos indissociáveis do nosso plano de expansão”, detalha Souza.
O ano de 2026 vem sendo marcado ainda um período de intensa atividade operacional, com o plano de abertura de oito novas unidades ao longo do ano, tendo a recente inauguração na Avenida Paulista como grande símbolo desse momento. Segundo o VP Comercial, o plano estratégico Full Power guiará o ciclo de crescimento de 2027 até 2030, o que prevê a abertura de 60 a 80 novas lojas físicas e a reforma de 100 a 120 unidades para o modelo Loja Energia. “Para suportar esse avanço acelerado, aportaremos anualmente entre 7% e 8% da nossa receita líquida em investimentos, patamar superior à nossa média histórica, reforçando nossa profunda confiança no mercado brasileiro.”
A expansão busca ainda ampliar a capilaridade da rede de forma altamente qualificada, extrapolando os mercados maduros de São Paulo e Rio de Janeiro. Identificamos grandes oportunidades de crescimento em cidades de médio e grande porte nas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, além de polos regionais de forte dinamismo econômico. “O grande diferencial reside na capacidade de não apenas replicar fórmulas, mas de ajustar o tamanho da loja, o sortimento e a experiência às particularidades culturais e climáticas de cada praça, colocando sempre a cliente local no centro de cada decisão”, pontua.
Novo modelo de loja
Após ser testado em uma flagship no Shopping Center Norte, o conceito Energia passou a ser replicado em outros pontos de venda por apresentar ganhos de produtividade e eficiência operacional, além de elevar o índice de satisfação em todos os canais. Segundo Souza, o principal aprendizado foi que a tecnologia e a inteligência de dados precisam ser aplicadas para servir à jornada do consumidor, garantindo que o atendimento seja fluido e que o produto certo esteja disponível no momento exato. “Conseguimos aumentar a rentabilidade por metro quadrado ao mesmo tempo em que colocamos a conveniência do cliente no centro do ambiente de loja.”

Na prática, ao entrar em uma Loja Energia. esse cliente encontra um ambiente completamente renovado, amplo e convidativo, caracterizado por vitrines abertas e pela ilha de jeans posicionada estrategicamente na entrada como grande categoria âncora. A experiência ganha agilidade com a presença de caixas de autoatendimento, provadores inteligentes e sinalização digital integrada com o aplicativo. Além disso, o sortimento de cada unidade passa a ser gerido por algoritmos de demanda regional, garantindo que as araras reflitam com precisão as preferências daquela comunidade específica.
É sob esse conceito que foi desenvolvida a nova megaloja da Avenida Paulista, inaugurada em agosto deste ano. A unidade combina as soluções do modelo com a estratégia omnicanal da companhia e também tem um significado especial por marcar a presença da C&A em um dos principais pontos turísticos e econômicos de São Paulo no ano em que a marca completa o centenário no país.

“Essa inauguração reúne peso simbólico e peso de negócio. Reforça a nossa relevância no varejo nacional. Na prática, traz o que há de mais avançado da jornada omnicanal, combinando soluções de autosserviço, caixas de autoatendimento e uma integração profunda com o nosso aplicativo. Essa abertura simboliza os passos que estamos dando para o novo ciclo de crescimento da companhia, acelerando os investimentos em tecnologia, logística e presença física.”
Dimensionar a operação no Brasil exige olhar para toda a engrenagem. Em cada loja, é gerenciada uma matriz complexa com dezenas de milhares de SKUs ativos, cobrindo o vestuário feminino, masculino, infantil, lingerie, calçados e acessórios. “Essa vasta variedade é renovada constantemente através do nosso modelo de compras curtas com base no conceito Test and Learn, onde testamos pequenas coleções e escalamos rapidamente a produção dos itens de maior aceitação pelas consumidoras.”
Dentre todas as categorias, o jeans se consolida como o verdadeiro coração do negócio. Lado a lado com ele, as peças de moda casual do dia a dia, os itens básicos e a nova linha esportiva registram volume expressivo de procura em todas as regiões.
Sem barreiras
Desenhada para eliminar fronteiras, a estratégia phygital tem várias iniciativas. Dentre as principais, destacam-se a funcionalidade de retirada na loja, a modalidade de envio de produtos a partir da unidade mais próxima e soluções de tecnologia invisível. Essa integração permite que o consumidor transite entre os diferentes canais de acordo com o momento da sua jornada, seja para descobrir uma tendência nas redes sociais, pesquisar detalhes no aplicativo, experimentar uma peça na loja ou escolher onde prefere receber ou retirar o produto. “Nosso objetivo é facilitar cada etapa e dar à cliente a liberdade para escolher como quer comprar.”
No ambiente virtual, essa integração foi potencializada por meio da Home For You, página inicial do aplicativo customizada com recomendações individuais de acordo com as preferências de cada usuária, e do IA Personal Shopper, que auxilia em dúvidas, escolha produtos e composição de looks de forma intuitiva. “Essas inovações têm impactado diretamente a performance comercial da companhia, impulsionando um crescimento de 33,3% na receita proveniente do site e do aplicativo em períodos recentes. Além disso, registramos uma elevação de 36% na taxa de conversão digital, demonstrando que a omnicanalidade fortalece o engajamento e nos aproxima do objetivo de atingir 15% de vendas omnicanal sobre o faturamento total.”

Cada ponto de contato gera dados e a C&A unifica todos oriundos de lojas físicas, dos canais digitais e das soluções de pagamento. “Nas lojas físicas, capturamos o comportamento do fluxo presencial e a movimentação do provedor; no ambiente digital, o aplicativo e o e-commerce registram preferências de navegação e busca; e no braço financeiro com o C&A Pay, acompanhamos o histórico de compras e a frequência de uso. Essa visão integrada nos permite construir um perfil completo e entender o phygital como uma experiência única, onde cada canal alimenta o próximo”, explica o VP Comercial.
Na prática, a consolidação desses dados orienta decisões e viabiliza a personalização em escala. Segundo Souza, a inteligência analítica é utilizada para definir a alocação de estoque por loja com precisão de tamanho e cor e planejar coleções regionais com base na demanda real. “Na ponta da consumidora, esse conhecimento se traduz em recomendações customizadas no aplicativo, ofertas direcionadas e conveniências operacionais nas Lojas Energia, como o pagamento fluido por biometria facial via C&A Pay. Para nós, o dado só tem valor quando simplifica a vida do cliente e gera eficiências concretas para o negócio.”
A IA também deixou de ser um projeto experimental para se tornar uma alavanca transversal aplicada a toda a nossa cadeia de valor da companhia e tem como foco resolver necessidades reais. “Utilizamos IA e algoritmos avançados na modelagem de demanda, no desenvolvimento de produtos, no planejamento de estoques, dentre outros. Essa eficiência operacional permite reduzir sobras de estoque, melhorar a margem bruta e garantir que os lançamentos cheguem às lojas com a velocidade exigida pelo ritmo das redes sociais e do mercado de moda.” A varejista ainda cria aplicações de comércio conversacional voltadas a datas comemorativas, como o Tradutor de Pais, no Dia dos Pais, que interpreta respostas dos clientes e as transforma em sugestões precisas de presentes.
Conectada com a audiência
Para quem busca manter a relevância cultural e proximidade com o consumidor, é essencial marcar presença nas redes sociais, pois é onde a conversa sobre moda, estilo e comportamento acontece em tempo real e sem filtros. Por isso, a C&A mantém a presença nesses canais indo muito além da simples vitrine de produtos, funcionando como um espaço de diálogo, escuta e inspiração diária. Isso permite que capte movimentações culturais e as traduza rapidamente em coleções e conteúdos alinhados com o desejo das consumidoras.

Já as collabs e grandes ativações de marca desempenham um papel decisivo na construção do valor percebido e do desejo por nossas peças. Exemplos marcantes como a parceria com o estilista Gustavo Silvestre para o desenvolvimento de jeans circular e as ativações como o look oficial do Rock in Rio demonstram o poder dessa estratégia. “Quando unimos a autoridade de moda da C&A com a força criativa de grandes parceiros e eventos culturais transformamos a visibilidade institucional em engajamento real, atraindo novas gerações para as nossas lojas e gerando conversão em vendas.”
Os principais desafios logísticos
Operar uma malha de varejo com alcance nacional em um país de dimensões continentais como o Brasil envolve uma operação de alta complexidade. Segundo o VP Comercial, a complexidade envolve desde a superação de infraestruturas regionais até a necessidade de manter um fluxo de abastecimento ágil que suporte o modelo de compras curtas e alta rotatividade de estoque. Com a expansão acelerada dos canais virtuais, o grande desafio reside em garantir prazos de entrega cada vez menores para as compras online e sem elevar os custos operacionais de frete.
“Para alcançarmos nossas metas do plano estratégico Full Power e garantir a eficiência da nossa operação omnicanal até 2030, anunciamos investimentos robustos na reestruturação da nossa malha logística. O plano inclui a implantação de um novo centro de distribuição em Pernambuco, a ampliação da nossa estrutura em Santa Catarina e a criação de novos hubs urbanos de distribuição no Rio Grande do Sul e em Goiás”, conta. Essa descentralização estratégica aproxima os produtos dos principais mercados consumidores, reduz distâncias físicas, otimiza o nível de serviço e garante entregas rápidas tanto para a rede de lojas quanto para os clientes digitais.
Marca independente
O ano de 2026 também foi marcado pela abertura das lojas ACE, uma marca criada a partir do ecossistema de C&A e sua primeira unidade foi inaugurada no Ibirapuera Shopping, repetindo a história de 50 anos atrás. De acordo com Souza, ela nasce para liderar o segmento de athleisure premium no país, inserida em um mercado que movimenta cerca de 30 bilhões de reais no Brasil. Propõe o conceito de social sports, no qual o movimento encontra a vida social, oferecendo peças com tecidos proprietários de tecnologia avançada, como o butter touch e o cool touch, modelagem precisa e design minimalista.
“Do ponto de vista estratégico, a ACE representa uma nova fonte de receita e uma avenida promissora para o nosso portfólio, conectada ao nosso ciclo estratégico de longo prazo até 2030, estruturamos um plano de expansão robusto que prevê a abertura de cerca de 25 novas lojas da ACE. Para acelerar a presença em shopping centers estratégicos de todo o país, adotaremos também o modelo de franquias.” Após a validação inicial da unidade piloto no Ibirapuera Shopping, do e-commerce e da loja no Shopping Bourbon, a expansão física inicial da ACE contempla a abertura de novas lojas exclusivas em praças prioritárias como o Rio de Janeiro e Minas Gerais, pavimentando o caminho para o franqueamento escalar a marca com eficiência e disciplinada alocação de capital.
Pilares potentes
A sustentabilidade está profundamente enraizada na governança e na tomada de decisões estratégicas da C&A. A estratégia ESG 2030 é acompanhada diretamente pela alta liderança e possui metas públicas vinculadas à remuneração variável de toda a liderança executiva. “Atuamos de forma rigorosa em mudanças climáticas, circularidade, integridade da rede de fornecimento e a promoção da diversidade e inclusão, garantindo que os compromissos socioambientais estejam integrados ao desenvolvimento dos produtos antes mesmo da comunicação com o mercado”, pontua Souza.
Dentre os principais avanços, está o alcance de 72,2% de matérias-primas de origem sustentável nas coleções, avançando em direção à meta de 80% até 2030, além de ampliação da rastreabilidade do algodão via blockchain. “No pilar de circularidade, o programa Movimento ReCiclo está presente em mais de 77% das nossas lojas e, até o final de 2025, já havia destinado adequadamente mais de 460 mil peças de roupas desde 2017.”
Essa agenda ganha vida na prática com as colaborações de upcycling e circularidade com o estilista Gustavo Silvestre, como a coleção 100% circular desenvolvida a partir do jeans coletado pelo ReCiclo e apresentada no desfile de 50 anos no MASP, além da cápsula de peças numeradas e reaproveitadas do estoque criada exclusivamente para o Rock in Rio.

Na dimensão social, celebram os 35 anos do Instituto C&A, um dos programas de voluntariado corporativo e investimento social privado de maior longevidade do país, focado na inclusão e no fortalecimento de comunidades na cadeia da moda, somados ao reconhecimento contínuo pelo Great Place to Work, estruturando um negócio resiliente para os próximos ciclos.
É uma marca querida dos brasileiros que combina o aprendizado construído ao longo do tempo com novas formas de se relacionar com o consumidor e de fazer negócios.




