JAN/FEV 2026 - Edição 263 Ano 39 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Vitor Kley: uma voz singular, um talento sem limites

9 de fevereiro de 2026 | por Solange Bassaneze / Fotos: Divulgação/Rodolfo Magalhães
Entre sucessos, turnês internacionais e novas experiências, o cantor segue impulsionado pela criatividade e pela forte conexão com fãs

Desde que a melodia O Sol conquistou corações dentro e fora do Brasil, ficou claro que o trabalho de Vitor Kley iria muito além de um hit: era o início de uma carreira sólida, marcada por canções que conectam simplicidade e emoção. E desde lá, vieram outros álbuns e sucessos e ele segue criando novos capítulos com uma estética musical que traduz leveza, afeto e verdade.

Hoje, o cantor vive um novo momento artístico à frente do álbum As Pequenas Grandes Coisas, em que reafirma sua maturidade criativa e a capacidade de transformar sentimentos cotidianos e histórias em canções que acompanham diferentes fases da vida de seu público.

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Entre álbuns marcantes, parcerias com grandes nomes da música nacional e passagens por palcos internacionais, tem algo que nunca mudou: sua essência. Por sempre ter tido o apoio familiar, Kley faz questão de olhar para trás e reconhecer as bases que sustentam tudo o que veio depois. “Eu sou muito grato à família, à criação que eu tive e tenho”, afirma o cantor, ao se referir aos pais, irmão e avós. Eles são suas referências e moldaram não só o artista, mas também o homem que ele se tornou. E seus pais, Janice e Ivan (falecido), foram sempre seus incentivadores.

“Minha mãe me levava para aula de música desde pequeno, desde que eu tinha 9, 10 anos. Ela teve essa sensibilidade de perceber isso”, conta. A gratidão aparece como um sentimento constante em sua fala, assim como o orgulho de manter tudo isso vivo. Acho muito bonito quando a gente cresce e continua com a nossa essência.”

Esse amor familiar faz com que muitos dos valores que carrega até hoje nasceram destas relações como ele menciona: “a disciplina, a educação, a maneira de enxergar o mundo, de compreender os gostos e até os desgostos das pessoas, de respeitar todas as pessoas, todas as tribos.” 

Quando O Sol ganhou repercussão em todo o país, o público teve o prazer de conhecer essa voz tão singular, conduzida por uma melodia que, segundo ele, seguirá abrindo portas. “Terei 80 anos e alguém vai falar: ‘Esse é o senhor que cantava aquela música do Sol”, diz rindo. No YouTube, a canção tem mais de 323 milhões de views. Depois vieram muitas outras composições de sucesso, que alcançaram diferentes públicos e gerações, inclusive os alphas. “Música é fazer o povo feliz e quero que faça bem para todo mundo. E um dos presentes mais bonitos que eu tenho na vida são as crianças nos shows.”

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E na hora de compor, a proximidade com o público junto a um olhar para coisas do cotidiano contribuem para seu processo criativo. “Eu acho que as minhas músicas nascem a partir das minhas experiências de vida”, afirma. Para ele, qualquer conversa, gesto ou som pode virar inspiração:


“Às vezes, a pessoa fala uma frase, um trocadilho e eu falo: ‘Caraca, isso aí pode dar música’. Eu escuto um barulho, um timbre de alguém batendo na madeira e já penso: isso aí podia ser um timbre de bongô, de caixa”.


Por isso, aproveita plenamente cada momento, absorvendo histórias e sensações ao redor para depois transformá-las em canções. E é essa espontaneidade que o surpreende. “A gente nunca vai saber até onde a arte pode ir, porque é infinita.” 

Histórias de fãs e desafios nos bastidores

Cercado pelo carinho de uma legião de fãs, o artista fala com bom humor sobre essa relação e relembra uma situação curiosa do começo da carreira. Na época, ele ainda começava a conquistar admiradores em Porto Alegre, antes mesmo do primeiro grande hit. Ao chegar ao aeroporto, se deparou com uma garota o esperando e foi saber o que ela queria. “Então, ela pediu para tirar foto comigo e me contou que era muito fã e que tinha escrito uma carta enorme — era gigantesca, com metros de papel.”

No entanto, a surpresa veio durante a leitura.

“No meio da carta, percebi que ela tinha me confundido com um integrante do Restart. Entregou a carta para a pessoa errada. Eu estava tão feliz de ter uma fã que escreveu uma carta linda, grande, tirou foto e tal. Sempre fiquei pensando em um dia entregar para os meninos do Restart, mas já não sei mais onde ela está”, conta, rindo.

Agora, quando o assunto são os perrengues da carreira, um episódio se destaca em sua memória: um show caótico em Salinas devido às mudanças climáticas repentinas. E ele se recorda de todos os detalhes.

“O palco estava montado na areia, a maré subiu rapidamente, arrastando carros e tudo mais, e o show atrasou: das 8 da noite para 3 da manhã.” Mesmo com o adiamento, quando finalmente começou, a situação ficou ainda mais desafiadora: chegou uma ventania forte, a cenografia começou a cair e carros com paredões de som tocavam próximos ao camarim, fazendo com que o barulho invadisse o palco nos momentos de silêncio. Mas os imprevistos não pararam por aí. “Ao entrar no palco. Meu microfone não estava no pedestal! Pensei: ‘o que vou fazer?’. O público que me conhecia começou a cantar a capela. Foi um perrengue sem tamanho, uma loucura.” Mas a energia ficou lá no alto mesmo com tudo conspirando para dar errado.

Momentos memoráveis

Com uma carreira construída entre a estrada e o estúdio, acumula álbuns marcantes e sucessos como Pupila, Morena, Adrenalizou e A Tal Canção Pra Lua. A partir de 2019, expandiu sua atuação internacional com shows em Portugal e, em 2020, lançou A Bolha, disco que consolidou sua versatilidade e o levou a palcos de países como Estados Unidos, Inglaterra, Itália e França. Indicado duas vezes ao Grammy Latino, o cantor também passou por grandes festivais como Rock in Rio, Meo Sudoeste e Planeta Atlântida. 

Paralelamente, teve a oportunidade de gravar com grandes nomes da música brasileira, como Lulu Santos, Samuel Rosa, Anavitória, Jorge e Mateus, Capital Inicial, Sandy, Titãs, Daniel, Maneva, entre muitos outros. Essas parcerias reforçam a versatilidade e o respeito que o artista conquistou no cenário musical, além de fortalecerem seu constante processo de aprendizado e troca artística. Além disso, considera-as como um símbolo de união, de paz, de conexão e de diferentes sons na mesma música. Trabalhar essas conexões é algo com que convive desde pequeno. Mas tem ainda um nome no topo da sua lista com quem deseja gravar: Djavan. Com certeza, se acontecer, será lindo! 

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Agora, segue focado em seu sexto álbum, As Pequenas Grandes Coisas (2025), com 11 faixas autorais. O projeto marca sua estreia como produtor musical, o que representou um importante passo de liberdade e pertencimento. “Antes, eu me autossabotava, achando que ainda não era produtor, até que o Paul Ralphes me disse que eu deveria assinar”. Para Vitor, o álbum simboliza ainda uma nova relação com o público.

“A gente sai de uma gravadora e vira artista independente. Eu queria que os fãs sentissem que eu pertenço a eles, que a minha obra é independente e que a nossa conexão é direta: artista com fã, fã com artista.”

Essa proximidade, segundo ele, foi sentida imediatamente na recepção do disco. Canções como Arco‑Íris, Vai Ficar Bem, Segredos e Vai Por Mim refletem essa assinatura pessoal, ao mesmo tempo em que exploram novas sonoridades. A turnê do álbum tem reforçado essa sensação. Com shows no Brasil, Portugal e Dublin, o artista afirma viver o melhor momento da carreira. “É o projeto que eu mais sinto que os fãs estão abraçando. A turnê está sendo, para mim, a melhor até hoje.”

Entre as faixas do disco, Vai Por Mim ocupa um lugar especial. A canção aborda saúde mental e presta uma homenagem ao pai do cantor, contando com a participação do professor Clóvis de Barros Filho. “É a música que mais tem emocionado pessoas. É a mais forte que eu já fiz na minha carreira e a que eu mais recebo mensagem hoje em dia.”

Para ele, o impacto da canção ultrapassa qualquer métrica de sucesso. “É maior do que qualquer sucesso que eu tenha tido. É algo que faz valer a pena a minha vida aqui na Terra.” Ele acredita que a força da música também vem da presença simbólica do pai. “Talvez seja por isso que essa música esteja indo tão longe, meu pai mandando toda a energia dele. Ele está presente e é infinito em todo lugar.”

Esse momento de liberdade criativa também se reflete na forma como escolheu registrar parte do projeto ao vivo. A música Nós Dois integra o álbum e projeto audiovisual APGC Ao Vivo na Casa da Colina, que celebra As Pequenas Grandes Coisas, e é uma faixa inédita lançada junto com o trabalho completo em dezembro de 2025. Gravado de maneira íntima no estúdio que construiu em sua casa, o audiovisual reuniu o cantor e mais sete músicos tocando juntos, em take único, valorizando a energia da banda. 

Com o mundo mais tecnológico, a forma de consumir música mudou radicalmente, e ele acredita que há muitos desafios na era do streaming, marcada pelo excesso de lançamentos e pelo consumo acelerado de música. Para ele, esse ritmo pode comprometer a apreciação plena da arte: “Às vezes, ao escutar uma música na correria, ela pode ser não tão legal, mas quando se ouve com calma, é possível perceber toda a construção, a letra, os arranjos e a história por trás.” Ele reforça a importância de valorizar o processo criativo e experimentar a música com atenção, equilibrando a velocidade do mundo digital com o cuidado e o carinho que cada obra merece. Hoje, ele tem 3,5 milhões de ouvintes mensais apenas no Spotify.

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2026 já tem muitos shows marcados, planeja continuar a turnê de As Pequenas Grandes Coisas, com shows pelo Brasil. Na Europa, Portugal segue como destaque, quase uma segunda casa para o cantor, com possibilidade de novas apresentações em países próximos.

Além da música, Vitor seguirá envolvido em projetos pessoais que unem suas paixões, como tênis e surf.

“Pude fazer parte do projeto infantil do Medininha (lançado em 2025), do Gabriel Medina. E acho que isso aí vai ter novos capítulos mais para frente. O tênis também me abriu muitas portas agora assim de participar de campeonato, de bater bola com o Guga (Gustavo Kuerten), quem sabe viajo para alguns torneios grandes assim, fazer algumas aparições. Pretendo vir com mais trabalho novo, porque já estou com algumas músicas guardadas na gaveta. 2026 vem grande.”

E os shoppings na vida dele? 

Kley compartilha memórias afetivas em espaços que vão além do palco. Falando sobre shoppings, ele recorda momentos divertidos da infância: “Eu me escondia dentro daquelas araras de roupa da Renner e amava ver minha mãe correndo atrás de mim, sem me achar. Mas teve uma vez que ela ficou apavorada, achando que eu tinha me perdido de fato, estava quase chorando, então parei de fazer isso.” Também destaca os passeios que mais gosta de fazer em shopping, como ir ao cinema ou fazer compras: “É bom dar um rolezinho, comprar presentes para quem a gente ama. Acho um ambiente legal, onde as pessoas estão sempre bem ativas. Amo muito o Bourbon Shopping em São Paulo, pois morei muito tempo na Rua Palestra Itália, então, frequentava direto.”

E ele é daqueles que valorizam o atendimento de quem atua no dia a dia do varejo. “Eles fazem parte de momentos muito especiais. A energia do presente vem da mão, do olhar de quem está ali também trabalhando. Quando chego a uma loja e vejo que tem um cara amarradão me atendendo, aquele presente ou produto vem com um outro sabor.” Ao responder que mensagem deixaria para quem trabalha em shopping, ele escolhe o refrão de Vai Por Mim:

“Nossa vida vale pela capacidade de amar
E pela sorte de ser amado
A alegria é vontade de continuar
A alegria indica a direção da vida
Façamos de modo a viver instantes
Instantes tão preciosos, tão mágicos
Que queiramos se repitam eternamente.”

Ou seja, mensagem dada por esse cantor e compositor que conquistou o Brasil e segue levando essa energia incrível em cada canção e apresentação. Se deu vontade de ouvir mais, coloque o fone e curta esse momento.

vitor kley
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