NOV/DEZ 2025 - Edição 262 Ano 38 - VER EDIÇÃO COMPLETA

Abrasce na COP30: quando a voz de um setor ecoa pelo futuro do planeta

12 de dezembro de 2025 | por Gisele Fortes / Fotos: Divulgação

Há momentos na história em que silêncios custam caro e vozes corajosas movem o mundo. Em novembro de 2025, no coração da Amazônia, a Abrasce foi uma dessas vozes potentes, capazes de fazer a diferença no presente e no futuro da humanidade. 

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Da esquerda para direita, equipe Abrasce na COP30: Gabriella Oliveira, diretora de Planejamento Estratégico e Operações, Glauco Humai, presidente, Mônica Vianna, gerente de Relacionamento e Insights, e Lorrayne Rosa, gerente de Assuntos Institucionais
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Glauco Humai, presidente da Abrasce e da CLICC, na entrada da COP 30

Belém foi palco da COP30, a cúpula global do clima que reuniu líderes mundiais, cientistas, organizações e agentes transformadores para discutir o destino do planeta. 

Pela primeira vez, o Brasil recebeu esse encontro, transformando-se no centro das decisões urgentes do nosso tempo. E foi ali, na Zona Azul, o espaço mais estratégico e disputado da conferência, que a Abrasce abriu um novo capítulo da sua história.

A presença da Associação reafirma o protagonismo do setor de shopping centers na agenda climática e demonstra seu compromisso com a construção de um futuro mais sustentável.

A transferência simbólica da capital do país para Belém, durante o evento, sinalizou o que já sabemos: não existe discussão climática sem Amazônia, e não há Amazônia sem o Brasil.

É nesse território de significado profundo que a Abrasce levou a sua mensagem: agir pelo clima é agir pela sobrevivência humana, que move os shoppings.

O segmento de shopping centers moldando o amanhã 

O setor de shopping centers é muito bem-organizado e, atualmente, há 648 malls em operação, que estão distribuídos em 249 cidades, em todos os estados e no Distrito Federal. Esses shoppings geram mais de um milhão de empregos diretos e mais outros dois milhões de empregos indiretos em sua cadeia produtiva, possibilitando que três milhões de pessoas vivam em função desse negócio. Isso movimenta quase R$ 200 bilhões, que representa 1,7% do PIB brasileiro. São mais de 123 mil lojas e 476 milhões de visitas por mês, o que soma mais de cinco bilhões de visitantes por ano.

Tamanho impacto vem acompanhado de grandes responsabilidades com o país, com as comunidades e com o planeta. Nos últimos anos, a Abrasce vem consolidando a sustentabilidade como um de seus marcos estratégicos, alinhada às melhores práticas de ESG (Environmental, Social and Governance).

Estar na Zona Azul da COP30 significou colocar o setor brasileiro de shopping centers no centro do diálogo global sobre clima, transição verde e responsabilidade empresarial, com autoridade e legitimidade.

Não chegou agora nem está começando hoje. Há anos, a entidade planta as sementes da transformação.

“Hoje, o shopping vai muito além das vitrines. Ele é um centro de convivência, de cultura, de lazer e de conveniência. Eu costumo dizer que o shopping é o ‘Terceiro Lugar’: um espaço entre a casa e o trabalho; o quintal de milhões de brasileiros que constroem ali as suas memórias afetivas” – Glauco Humai, presidente da Abrasce e da CLICC

O Manifesto: um compromisso público com a vida

Como também presidente da CLICC, entidade que representa a indústria de shopping centers em onze países da América Latina, Humai subiu ao palco da COP30 com a convicção de quem dedica a vida a um setor que conhece, admira e defende com profundidade. Em uma fala marcada por clareza, propósito e senso de responsabilidade histórica, destacou que estar naquele evento, no coração da Amazônia, era não apenas um privilégio, mas um chamado: “Aqui estão sendo discutidas questões muito importantes para nós e para aqueles que vão nos suceder”.

Representando uma indústria que, em 2026, completará 50 anos de atuação organizada, apresentou um panorama sólido sobre a força dos shoppings, trazendo dados que mostram um setor vivo, pulsante e que se reinventa todos os dias, ampliando as suas relevâncias social, econômica e ambiental.

O grande destaque da tarde foi a apresentação do Manifesto, o documento que propõe oito compromissos até 2050, alinhados à agenda global do clima.

O Manifesto é um chamado à mudança, mas também uma mão estendida ao mundo para inspirar, influenciar e cocriar soluções para um amanhã possível.

“Este Manifesto vai além de uma apresentação de objetivos gerais. Como a voz dos shoppings brasileiros, reforçamos nosso compromisso com a resiliência climática do nosso setor e nossa responsabilidade com a sociedade em geral. Como uma declaração inédita, esperamos que possamos inspirar mais indústrias e mercados rumo a um futuro mais sustentável.”- Glauco Humai

Bate-papo com o Grupo JCPM

Em 19 de novembro, Mônica Vianna, gerente de Relacionamento e Insights da Abrasce, participou de uma rica conversa sobre comércio sustentável e educação ambiental em shopping centers, reforçando o papel essencial que esses espaços desempenham como agentes de transformação social.

Ao lado de Thayara Paschoal (JCPM), João Calzavara (RTCC), Helena Marinho (Rolim, Goulart, Cardoso Advogados) e Cássia Campos Pimentel (Diretora na Universidade Mackenzie), Mônica discutiu como os shoppings, por sua capilaridade e proximidade com o público, têm se consolidado como ambientes privilegiados para promover conscientização, boas práticas e engajamento comunitário.

Durante a conversa, os participantes destacaram que os frequentadores são diretamente impactados por vivências voltadas ao tema, que vão desde exposições imersivas até ações educativas e projetos sociais. Esse contato cotidiano desperta reflexões importantes sobre o consumo responsável e a preservação ambiental, levando a escolhas mais sustentáveis no dia a dia.

A executiva reforçou que muitos dos investimentos realizados pelos shoppings não estão diretamente vinculados ao negócio principal, mas representam decisões estratégicas que geram benefícios coletivos de longo prazo. Segundo ela, iniciativas de sustentabilidade e educação ambiental fortalecem a relação dos empreendimentos com a comunidade, ampliam o senso de pertencimento e colaboram para a construção de cidades mais resilientes.

A troca entre especialistas ressaltou que, ao transformar conhecimento em experiência prática, os shoppings se tornam protagonistas de uma nova cultura de responsabilidade socioambiental, demonstrando que desenvolvimento econômico e preservação do planeta podem caminhar lado a lado.

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Participação de Mônica Vianna no bate-papo com o Grupo JCPM

Muito além do palco: ações concretas que inspiram

A participação na COP30 não é um gesto isolado, sendo a continuidade de uma ampla jornada da Abrasce.

A sustentabilidade deixou de ser um discurso para se tornar prática concreta no setor de shopping centers, e a Abrasce tem desempenhado papel de liderança nessa transformação. Ao longo dos últimos anos, a entidade consolidou uma trajetória pioneira, com projetos, metas e resultados que posicionam o Brasil como referência global em ESG.

  • Pioneirismo reconhecido

Foi a primeira Associação Carbon Free do Brasil, neutralizando suas emissões de carbono desde 2017. A iniciativa foi o primeiro passo de uma trajetória consistente rumo à redução de impactos ambientais e à promoção de uma cultura de responsabilidade compartilhada entre empreendimentos, lojistas e consumidores.

Desde então, tem liderado uma série de programas que unem sustentabilidade, solidariedade e engajamento. Projetos como “Acione-se pela vida” e “Acione-se pelo planeta” mobilizam o setor em ações sociais e ambientais que transformam realidades e inspiram novas atitudes, que vão da coleta de resíduos à inclusão de comunidades locais.

  • Reconhecimento e disseminação de boas práticas

O Prêmio Abrasce também cumpre papel estratégico nessa agenda, reconhecendo e divulgando boas práticas ESG em todo o país. Ao premiar iniciativas inovadoras, o programa impulsiona uma rede de aprendizado e valorização de quem faz diferente, fortalecendo o compromisso coletivo com um desenvolvimento mais justo, eficiente e sustentável.

  • Dados que refletem evolução

Os números comprovam o avanço. O levantamento nacional iniciado pela Abrasce em 2018 mostra um setor cada vez mais maduro e comprometido com a eficiência ambiental:

Gestão da água

  • 90% dos malls usam torneiras com arejadores, reduzindo em até 80% o consumo de água.
  • 25% captam água da chuva para reuso em banheiros, jardinagem e limpeza.
  • 84% utilizam redutores de vazão nas descargas sanitárias.

Eficiência energética

  • 92% dos shoppings já atuam no mercado livre de energia.
  • 87% utilizam fontes eólica ou solar, reduzindo a dependência de energia de origem fóssil.

Gestão de resíduos

  • 93% possuem áreas estruturadas para armazenamento e segregação de resíduos sólidos.

Outras boas práticas

  • 93% dos empreendimentos possuem bicicletários, incentivando a mobilidade sustentável.
  • 70% mantêm áreas verdes integradas à arquitetura.
  • 76% promovem ações de diversidade e inclusão, reforçando o compromisso social do setor.

Esses indicadores revelam que a sustentabilidade deixou de ser diferencial para se tornar padrão de gestão: uma diretriz transversal que abrange operação, construção, inovação e relacionamento com as comunidades.

  • Liderança e compromisso global

A Abrasce não apenas acompanha o setor: ela o lidera.

Em 2018, a Associação realizou o primeiro mapeamento setorial de práticas sustentáveis. Em 2019, criou o Grupo de Trabalho de Sustentabilidade. Em 2022, lançou o programa Abrasce Causas Sociais, ampliando o impacto positivo nas comunidades. Em 2023, consolidou sua agenda ESG e lançou uma matriz de materialidade ESG para orientar o setor de shoppings na adoção de práticas sustentáveis. 

Em 2024, tornou-se signatária do Pacto Global da ONU e membro do Green Building Council. Em 2025, ao assumir a presidência da CLICC, colocou o ESG como pilar central para os onze países representados. Neste mesmo ano, lançou um protocolo inédito de sustentabilidade e a campanha “Aqui tem COP30”, que estimula os 648 shoppings do Brasil a mostrarem a seus consumidores o que já fazem em prol do futuro do planeta.

Ações complementares em Belém

  • Ações pré-conferência

Os shoppings da Grande Belém se prepararam para a COP30 com um elevado nível de rigor e integração. Nos meses que antecederam o evento, foi realizada uma força-tarefa inédita envolvendo a Abrasce, a Coordenadoria Municipal de Emergências (CME) e o BOPE, que uniram expertise pública e privada para promover uma série de simulados em todos os centros comerciais da região.

Ao longo dos treinamentos, equipes dos shoppings e das forças de segurança se debruçaram sobre cenários críticos de alto impacto, simulando desde crimes frustrados com tomada de reféns até a presença de artefatos explosivos, passando por ações de movimentos sociais, situações envolvendo pessoas em surto e a resposta a agentes ativos. Foram exercícios completos, que colocaram gestores, brigadistas e equipes operacionais em situações-limite, testando tomada de decisão, tempo de resposta, cadeia de comando e eficiência dos fluxos de evacuação.

Essa rodada de treinamentos se tornou ainda mais estratégica diante dos novos desafios do setor. A criação de protocolos específicos para incidentes complexos, como incêndios em veículos eletrificados nos estacionamentos, por exemplo, mostra que os shoppings não apenas se prepararam para a COP30, mas também se anteciparam a riscos emergentes da mobilidade sustentável.

Mais do que reforçar a segurança física, os simulados representaram um compromisso coletivo: o de garantir que os milhões de visitantes que circularam por Belém durante a conferência encontrassem espaços prontos, confiáveis e operados por equipes altamente preparadas. 

  • Ações durante a conferência

Para marcar a presença do setor de forma unificada, a Abrasce lançou uma campanha nacional de comunicação e engajamento, com o mote “Aqui tem COP30”.

O objetivo foi valorizar e dar visibilidade às iniciativas ambientais e sociais já consolidadas pelos shoppings brasileiros, mostrando que o compromisso com o planeta é contínuo, e não apenas sazonal.

O enxoval da campanha pode ser utilizado em malls de todo o país, com destaque especial para os empreendimentos de Belém. 

“A Amazônia foi o centro das discussões, mas a mensagem é global. Cuidar do meio ambiente é cuidar da vida. E os shoppings brasileiros mostraram que já estão fazendo a sua parte com dados, com ações e com resultados reais.” – Glauco Humai
Ativação da campanha “Aqui tem COP 30” no Shopping Metrópole

Os shoppings locais também realizaram encontros, exposições e palestras de conscientização durante a COP30. Foram muitas iniciativas inovadoras, que enalteceram a cultura local e convidaram o público a refletir.

O Shopping Pátio Belém promoveu um Workshop de Soluções Sustentáveis. Realizado em 13 de novembro, o evento debateu temas como Lixo Zero, tratamento esgoto e produção de água de reuso. Na ocasião, Mônica apresentou o Manifesto do setor, disseminando o documento que consolida os compromissos da entidade para uma agenda ESG ainda mais robusta.

O Parque Shopping Belém, por sua vez, realizou algumas exposições interessantes no período. Uma delas, intitulada “Os Grandes Festivais da Floresta”, proporcionou uma viagem pela alma festiva da Amazônia. O percurso sensorial, guiado por um rio cenográfico, englobou as celebrações que marcam a identidade cultural da região: o Festival de Parintins, o Festival de Juruti e o Sairé, de Alter do Chão. 

Já o Boulevard Shopping Belém promoveu diversas iniciativas, com destaque para uma impactante exposição imersiva da National Geographic, fazendo um convite à reflexão sobre os efeitos devastadores das ações humanas no planeta. A mostra levou o público por uma jornada sensorial através de seis grandes temas ambientais que vêm transformando a Terra: atmosfera, desertificação, acidificação dos oceanos, desmatamento, derretimento das calotas polares e eventos meteorológicos extremos.

Com imagens impressionantes, sons, dados alarmantes e uma ambientação envolvente, a exposição propunha uma experiência única de conscientização, mostrando como as escolhas cotidianas de cada indivíduo impactam diretamente o equilíbrio do planeta.

Imagem da exposição da National Geographic no Boulevard Shopping Belém

No Castanheira Shopping, a mandioca foi a estrela da vez. Desempenhando um papel de extrema relevância na cultura gastronômica da Amazônia, ela foi o destaque da mostra “Museu da Mandioca: exposição e gastronomia”, que reabriu as suas portas para mais uma temporada de sucesso.

Mais do que apenas uma mostra de objetos, o evento incluía exposição de objetos, atrações culturais, além de uma feira de produtos orgânicos, que contava com menus degustação imperdíveis, comandados diretamente pelos produtores da agricultura familiar da comunidade. 

O Shopping Bosque Grão-Pará foi o palco da instalação “Mirações Digitais”, uma mostra imersiva idealizada pelo artista multimídia Kambô, pseudônimo de Luan Rodrigues.

As obras da exposição ganharam vida em realidade aumentada, acessíveis pela tela do celular: uma experiência sensorial única para os visitantes que puderam vivenciar e ver as criações em 3D, ampliando a imersão nas narrativas propostas pelo artista.

Entre as obras apresentadas, destacam-se as representações da arapaima, guardiã das águas que anuncia transformações; da garça marajoara, ponte entre céu e terra; da onça, apresentada como guardiã dos caminhos; do tambaqui, símbolo da abundância; e de Bepgororoti, o homem que virou chuva. 

Abrasce é COP30. Pelos shoppings, pelo Brasil e pelo planeta.

A COP30 marcou um ponto de inflexão para o mundo e para o setor.

A Abrasce foi para somar, provocar, inspirar e agir. Teve a responsabilidade de um setor forte, pujante, resiliente e inovador, bem como a força de quem acredita que toda transformação começa com uma escolha.

E nós escolhemos o futuro. Escolhemos a vida. Escolhemos estar à altura do que o planeta espera de nós. E o setor de shopping centers brasileiro estará na linha de frente da mudança que precisa acontecer.

“O shopping tem hoje o poder de comunicação e de cultura que as novelas tiveram nas décadas de 1980 e 1990. Ele forma opinião, inspira comportamento e pode (e deve) ser um agente de transformação em sustentabilidade.” – Glauco Humai
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