Climatização como eixo da performance operacional
Responsáveis por grande parte do consumo de energia, os sistemas de ar-condicionado concentram investimentos e exigem monitoramento contínuo para garantir eficiência, conforto e sustentabilidade
Seja no auge do verão ou em períodos de temperaturas mais amenas, os sistemas de ar-condicionado são fundamentais para garantir o conforto térmico de milhares de visitantes que circulam diariamente pelos shoppings. Para que isso seja possível, existe uma operação complexa por trás, voltada ao equilíbrio entre eficiência energética, redução de custos e sustentabilidade. Alcançar esse objetivo exige investimentos contínuos e manutenções rigorosas. Cada shopping possui características próprias — não existe uma fórmula única —, mas uma gestão atenta e estratégica é essencial, já que seus impactos se refletem diretamente nos custos condominiais.



Segundo o engenheiro Rubens Joaquim Junior, coordenador de Operações Corporativo do Grupo AD, esse é um pilar estratégico, pois ele representa uma parcela significativa do consumo de energia, e atuar de forma inteligente gera impactos importantes tanto ambientais quanto financeiros.
“Os investimentos em equipamentos mais eficazes, automação, manutenção preventiva e monitoramento contínuo do consumo contribuem para a redução das emissões de carbono e para o uso mais racional dos recursos naturais. No aspecto econômico, essas iniciativas otimizam o desempenho, reduzem desperdícios, prolongam a vida útil dos equipamentos e ainda geram economias relevantes no médio e longo prazo.”
No caso da Sá Cavalcante, por estar presente nos estados do Espírito Santo, Piauí, Maranhão e Pará, regiões de temperaturas elevadas, o sistema impacta diretamente a experiência dos clientes e dos lojistas, indo além da eficiência.

“É um fator crítico operacional, pois se não colocarmos a devida importância, teremos altos custos, uma experiência ruim e, com isso, certamente um negócio não sustentável”, diz Gregory Camara, head de operações da companhia.
A Almeida Junior também dá alta importância neste ponto em seus ativos. “O custo com ar-condicionado representa aproximadamente 60% da conta de energia elétrica. Por isso, nossos sistemas possuem automação e temos rotinas de manutenção e testes para assegurar sempre a melhor curva operacional possível e, consequentemente, o menor gasto”, conta Fernando Paiva, head de Operação da Almeida Junior.
E isso leva a uma performance muito similar em todos os ativos. “O custo por TR (tonelada de refrigeração – unidade de medida de potência térmica) apresenta variação inferior a 5% entre elas”, detalha Paiva.

Mas o que os shoppings têm feito para otimizar o desempenho?
No Grupo AD, a medida envolveu uma mudança conceitual no modelo de contratação adotado para modernização dos sistemas, focando no aumento da eficiência energética, nos aspectos ambientais, no conforto aos usuários e na redução dos custos operacionais, com garantia de que o modelo projetado seja implementado e operado na forma prevista por todo o período contratual (contrato com performance).
“Dentro desta mudança de conceito, foram implementadas iniciativas práticas, tais como o largo uso de inversores de frequência para motores de bombas, de torres de resfriamento e de chillers, de válvulas proporcionais, medição, monitoramento e controle para a modulação dos sistemas e equipamentos de forma proporcional às demandas climáticas e de ocupação dos empreendimentos”, detalha Junior.
E isso trouxe diversos benefícios, refletindo no consumo de energia e de custos operacionais; melhoria no conforto térmico; redução de emissões de CO2 e alinhamento com metas ESG; maior confiabilidade e vida útil dos equipamentos; possibilidade de monitoramento contínuo e ajustes finos de operação; e execução com mínima interferência no funcionamento do shopping.
O Grupo AD tem focado ainda em investimentos na reconfiguração hidráulica das Centrais de Água Gelada, com implementação de monitoramento por IoT, com registros contínuos e visualizações gráficas do comportamento dos equipamentos e do sistema, o que permite o total acompanhamento e controle das condições de eficiência energética, consumos, temperaturas de água gelada, de condensação, umidade e temperatura externa e internas, tratamento químico de água, dentre outros parâmetros. Fora isso, adotou controles avançados como automação inteligente.
“Foram instalados sensores para medição e monitoramento das condições externas e internas dos empreendimentos, destacando as variáveis temperatura, umidade e CO₂, que, associadas a outros sensores, fornecem as referências para o controle proporcional das instalações que têm intensa aplicação de inversores de frequência e válvulas proporcionais”, explica Junior.

Segundo Camara, a Sá Cavalcante atua em diversas frentes. “Além das habituais vistorias diárias nos equipamentos para verificar o maquinário e a presença de automação em grande parte dos empreendimentos, temos vistorias matriciais periódicas que verificam os parâmetros técnicos, condições de operação e manutenções.”
Em 2025, o head de operação relata que foi dado um passo importante: “investimos cerca de R$ 5,6 milhões em um sistema de telemetria para verificar não somente a temperatura dos ambientes – que nos ajuda a gerenciar a experiência do cliente,- mas também o consumo de cada equipamento, nos dando a facilidade para ver a eficiência de todo o sistema e de cada ‘engrenagem’”.
Recentemente, também foi feita a ampliação do sistema de ar-condicionado no Shopping Rio Poty, em Teresina, para atender o piso que foi redesenvolvido este ano, para atender os 8 mil ㎡ de ABL.

“O próximo da lista será o Shopping da Ilha onde faremos um retrofit no tanque de água gelada e investimento para trazermos um chiller mais eficiente, mantendo nosso parque sempre atualizado, para sermos eficientes e responsáveis com os nossos consumos.”
A Almeida Junior também tem uma série de iniciativas. Todos os nossos shoppings contam com Tanque de Água Gelada (TAG). Recentemente, revisitaram o processo operacional para garantir a máxima eficiência do sistema, reduzindo a necessidade de uso dos chillers ao longo do tempo. “Além disso, periodicamente revisamos o balanceamento hidráulico, para que cada ponto de consumo receba a quantidade exata de água gelada para a refrigeração do ambiente. Dessa forma, operamos o sistema como um todo no melhor coeficiente”, explica Paiva.
Existe também a automação integrada às variações climáticas, ou seja, os sistemas de ar-condicionado são operados com sensoriamento em diversos pontos da rede, que, por sua vez, fornecem dados para modulação dinâmica dos chillers.
Cases
Dentro do amplo portfólio do Grupo AD, alguns ativos se destacam: Shopping Metrô Tatuapé, o Shopping Metro Boulevard Tatuapé, o Shopping Center Penha, o Shopping Praça da Moça e Taubaté Shopping. “Grupo AD desenvolveu e conduziu os estudos e obras para a modernização das instalações, onde, sem exceção, foram obtidos aumento da sustentabilidade, melhora das condições de conforto, garantia operacional e significativa redução dos gastos operacionais. Essas iniciativas foram reconhecidas com premiações por entidades como a SMACNA, ABESCO e GRI”, enaltece Junior.
O Shopping Metrô Tatuapé, que teve a obra mais recente, foi premiado pelo GRI Awards pela modernização do sistema de ar-condicionado central.
“Concebido no modelo BOT (Build Operate Transfer), investimento da GreenYellow com projeto e execução da Enerlab, que garante performance e manutenção com risco total de peças e mão de obra ao longo do contrato, agregando previsibilidade operacional e orçamentária”, afirma o engenheiro.
ANTES


DEPOIS



O escopo técnico incluiu a revisão e o aproveitamento dos chillers existentes, a reconfiguração hidráulica da CAG do padrão primário fixo/secundário variável para circuito único variável, substituição das torres de resfriamento, bombas de água gelada e de condensação e a troca de todos os fancoils de climatização do mall. Foi automatizado com plataforma IoT e monitoramento remoto, permitindo gestão inteligente, manutenção preditiva e antecipação de falhas.






